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sexta-feira, 17 de agosto de 2012
Obesos metabolicamente saudáveis: isto existe?
Uma das perguntas mais importantes da ciência médica atualmente é a seguinte: ser gordo aumenta de fato os riscos de problemas à saúde? E cada vez mais as pesquisas vêm chegando à seguinte conclusão: não necessariamente.
Por exemplo: um estudo fresquinho e muito bem conduzido, publicado no "The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism", acompanhou durante sete anos um grupo de 22.203 indivíduos. Neste período, houve 604 mortes por doenças cardiovasculares (DCV) e 1.868 mortes por outras causas. Os resultados mostraram claramente: indivíduos obesos que não tinham alterações metabólicas (valores elevados de pressão arterial, proteína C reativa e circunferência de cintura; diagnóstico de diabetes e valores reduzidos de HDL) não apresentaram maior risco de morte por DCV ou outras doenças, em comparação com indivíduos não obesos e que também não apresentavam alterações metabólicas.
Sabe-se que existe uma relação considerável entre depósitos de gordura visceral (aquela que fica entra os órgãos, na cavidade abdominal) e hepática e o desenvolvimento de DCV. Uma hipótese razoável seria imaginar que esses indivíduos obesos do estudo acima, que não apresentavam risco cardiovascular (5,2% da amostra total de participantes), tinham níveis baixos desse tipo de gordura no corpo. Ou seja, concentravam mais gordura subcutânea.
Muitos podem dizer: "bom, tudo bem, mas é MUITO raro encontrar indivíduos obesos com esse perfil na prática!". E os estudos também mostram: nem tanto! Na pesquisa acima, por exemplo, os indivíduos obesos sem alterações metabólicas representavam 22% do total de obesos acompanhados. Outros estudos (veja aqui e aqui) que analisaram amostragens expressivas de indivíduos obesos mostram porcentagens similares.
O que diferenciaria então os obesos saudáveis dos obesos com risco aumentado para o desenvolvimento de doenças? Os fatores mais apontados pelos estudos seriam aqueles relacionados ao estilo de vida: qualidade/horas de sono, alimentação, prática de exercícios físicos, fatores emocionais e psicossociais, dentre outros.
E você, já pensou hoje sobre a maneira como está levando sua vida?
quinta-feira, 3 de maio de 2012
Obesos apresentam menor taxa de mortalidade após cirurgia de bypass coronário
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Mais uma evidência que valida o "paradoxo da obesidade", resultado de um estudo americano que acompanhou durante dois anos 60.635 pacientes que passaram por uma cirurgia chamada coronary artery bypass graft (ou seja, uma cirurgia cardíaca realizada conectando-se enxertos de veias ou artérias de outras partes do corpo antes e depois de um estreitamento coronariano para permitir um fluxo sanguíneo adequado para o músculo cardíaco; mais conhecida como ponte de safena!): pacientes com sobrepeso ou obesidade apresentaram redução em 30% na mortalidade por todas as causas após a cirurgia em comparação com indivíduos eutróficos (de peso normal), depois de um ajuste estatístico para fatores como idade, tabagismo, hipertensão, etc.
Um exemplo mais claro: no período compreendido entre 3 meses e 2 anos após a cirurgia, a taxa de mortalidade em pacientes eutróficos foi de 6,3%, comparada com 4,1% em pacientes com sobrepeso e 3,8% em pacientes obesos
Mais uma evidência que valida o "paradoxo da obesidade", resultado de um estudo americano que acompanhou durante dois anos 60.635 pacientes que passaram por uma cirurgia chamada coronary artery bypass graft (ou seja, uma cirurgia cardíaca realizada conectando-se enxertos de veias ou artérias de outras partes do corpo antes e depois de um estreitamento coronariano para permitir um fluxo sanguíneo adequado para o músculo cardíaco; mais conhecida como ponte de safena!): pacientes com sobrepeso ou obesidade apresentaram redução em 30% na mortalidade por todas as causas após a cirurgia em comparação com indivíduos eutróficos (de peso normal), depois de um ajuste estatístico para fatores como idade, tabagismo, hipertensão, etc.
Um exemplo mais claro: no período compreendido entre 3 meses e 2 anos após a cirurgia, a taxa de mortalidade em pacientes eutróficos foi de 6,3%, comparada com 4,1% em pacientes com sobrepeso e 3,8% em pacientes obesos
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Idosos japoneses com sobrepeso vivem mais

Um estudo recente publicado na revista científica "Obesity" confirmou o que eu já havia escrito aqui: o risco de mortalidade por todas as causas ("all-cause mortality") em idosos parece diminuir conforme aumenta o IMC.
Neste estudo especificamente, 26.747 idosos japoneses entre 65 e 79 anos de idade foram acompanhados por um período de 11 anos, e os achados foram os seguintes:
1. entre os homens, estar com sobrepeso (IMC entre 25,00kg/m² e 29,99kg/m²) ou obesidade (IMC > 30,00kg/m²) não aumentou o risco de mortalidade por todas as causas;
2. entre as mulheres, estar com sobrepeso não aumentou o risco de mortalidade por todas as causas;
3. idosos com IMC entre 16,00kg/m² e 19,90kg/m² (valor este considerado "normal") apresentaram risco de morte elevado em comparação com idosos cujo IMC variava entre 20,00 e 29,90kg/m².
Ou seja: os mais protegidos eram os velhinhos com peso considerado "normal" e também aqueles com sobrepeso! Sendo que, entre os homens, os obesos não apresentaram maior risco de morte.
Interessante, não? Quem quiser ler o estudo, é o primeiro da lista "artigos interessantes", no canto direito do blog!
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