quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Disney altera atração que estigmatizava a obesidade!


Vocês se lembram da atração “Habit Heroes”, lançada ano passado na Disney, que promovia a estigmatização da obesidade e que eu critiquei aqui? Pois bem: após uma onda de críticas de associações internacionais como a “National Association to Advance Fat Acceptance”, a Disney alterou recentemente a atração do parque Epcot de forma a promover hábitos de vida saudáveis, e não a estigmatização da obesidade e dos indivíduos obesos! Os personagens, que antes eram pejorativos e estereotipavam pessoas obesas, foram substituídos.

Antigos personagens da atração Habit Heroes

A nova atração conta com três “fases” e os indivíduos que a visitam devem trabalhar em grupo e fazer atividades que mexem com o corpo a fim de passar para o próximo nível.

Àqueles que forem à Disney, vale a pena a visita!








quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Nova escala avalia influência do comportamento dos pais sobre a alimentação dos filhos


É com muito orgulho que hoje vou escrever sobre os achados da pesquisa desenvolvida e publicada pela minha querida amiga Maria Luiza Petty, nutricionista e gastrônoma, na renomada revista científica Appetite.

A Malu pesquisou a influência que o comportamento dos pais durante as refeições com seus filhos tem sobre o consumo alimentar dessas crianças, que na amostra do estudo tinham entre 6 e 10 anos de idade. Este comportamento dos pais foi avaliado por meio de uma escala que ela traduziu e validou cientificamente, que contém afirmativas do tipo: “você impõe limite de quantos salgadinhos a criança pode comer por dia”; “você come vegetais todos os dias”; “você deixa a criança comer o que ela quiser”. Os pais poderiam responder a cada frase marcando “nunca”, às vezes” e “sempre”.

O estudo encontrou que o consumo de frutas, legumes e verduras (FLV) foi maior entre as meninas e que o consumo de lanches (exs: hambúrgueres, hot dogs) e “comida de cafeteria” (ex: croissants) foi maior entre os meninos. Percebeu-se também que os pais das crianças que comiam mais FLV raramente ofereciam a elas uma refeição diferente daquela consumida pela família, ou seja, não cediam aos “caprichos” dos filhos (ex: “não quer almoçar? Come salgadinho então, já que você gosta...”). Além disso, os pais dessas crianças normalmente disponibilizavam em casa FLV e davam um bom exemplo consumindo esses alimentos. Outro dado interessante é que os pais das crianças que comiam doces com mais frequência restringiam de forma mais rígida a alimentação dos filhos e disponibilizavam comidas com teor reduzido de gordura.

Concluindo, a pesquisa mostra que é importante tornar disponíveis frutas, legumes e verduras, bem como comidas gostosas preparadas com esses alimentos. É necessário também impor limites às crianças, especialmente no que se refere às refeições, sem no entanto restringir de forma rígida o consumo de alimentos como doces, salgadinhos e lanches.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Disney mostra fada gordinha em seu novo filme!

Uma notícia positiva na luta contra o estigma da obesidade! A Disney, que já comeu bola ao criar personagens que incentivam o preconceito contra pessoas obesas (veja aqui), colocou no recente “O segredo das fadas” (filme com a fada Sininho que passou em 2012 nos cinemas nacionais) uma personagem “gorda”, ou pelo menos fora dos padrões estéticos esperados para uma fada. Mary (de rosa na imagem abaixo) é uma bela e talentosa patinadora que deixa todos boquiabertos com suas habilidades no gelo. Vejam o vídeo dela patinando aqui.


Pais e parentes, uma ótima oportunidade para conversar sobre o tema com as crianças e mostrar que pessoas gordas também podem ser atléticas e se divertir fazendo uma atividade física!

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Considerações sobre o estudo “Look AHEAD”


O ensaio clínico randomizado “Look AHEAD” (“Action for Health in Diabetes”), idealizado no final dos anos 90 e com duração de 13 anos, teve como objetivo principal avaliar os efeitos de um programa intensivo de mudanças no estilo de vida na perda de peso de indivíduos diabéticos do tipo 2 com excesso de peso (mais de 4.000 sujeitos). Esse programa intensivo consistiu na prática de atividades físicas (175 minutos/semana) e dieta (1200 a 1800kca/dia), e os indivíduos do grupo controle passaram por um programa convencional de educação em diabetes. O rigoroso protocolo de pesquisa do ensaio clínico, contendo 113 páginas, pode ser lido aqui.

Hoje, ao final do estudo (alguns artigos ainda estão sendo publicados), os achados principais são os seguintes:

- os indivíduos que passaram pela intervenção (dieta rigorosa + atividade física) foram capazes de perder 5% de seu peso inicial e manter essa perda por 4 anos (o que hoje é considerado sucesso na perda de peso).

- independentemente da perda de peso, já que o grupo controle também apresentou benefícios, as mudanças no estilo de vida trouxeram vários pontos positivos aos participantes: redução de apneia do sono e da necessidade de medicação para o diabetes, melhora nos níveis de alguns exames (glicemia, hemoglobina glicada, colestertol) e na qualidade de vida como um todo.

- finalmente, apesar da perda e manutenção de peso por 4 anos, o estudo não alcançou o principal resultado esperado pelos pesquisadores: redução na ocorrência de derrames, ataques cardíacos ou morte por eventos cardiovasculares (mesmo com a melhora nos parâmetros bioquímicos relacionados com a ocorrência desses eventos).

Meu medo agora é que os pesquisadores encarem o “copo meio vazio”, ou seja: “5% de perda de peso não foi o suficiente? E se os participantes de um próximo estudo fizerem uma dieta MAIS restritiva ainda para perderem MAIS peso? Aí sim!”

O que precisamos nos lembrar é que já houve definições mais rigorosas em outras épocas para o que seria considerado uma “perda de peso de sucesso” (20% dos peso inicial, por exemplo), só que o problema é que de sucesso não havia nada! Os indivídos não conseguiam perder tanto peso e mantê-lo a longo prazo.

Talvez precisemos encarar o “copo meio cheio”, ou seja: uma perda de peso modesta (5% do peso inicial), ou mesmo mudanças no estilo de vida sem que haja necessariamente perda de peso, podem trazer vários benefícios à saúde, inclusive melhorias em alguns fatores de risco para doenças cardiovasculares (glicemia elevada, colesterol elevado).

Bom início de ano a todos!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Aplicativos de smartphone que podem ajudar no autocuidado

Aproveitando a ociosidade das férias, decidi buscar em meu IPhone alguns aplicativos interessantes (e gratuitos!) que pudessem favorecer o autocuidado e promover ideias saudáveis. Infelizmente, todos os que eu encontrei são em inglês.

1.“Awesome Eats”

É um jogo infantil em que se tem que completar várias missões específicas usando frutas e legumes. Interessante para as crianças se familiarizarem com os diferentes tipos de vegetais e ao mesmo tempo se divertirem e trabalharem agilidade e raciocínio. Traz também dicas gerais de alimentação saudável. Adultos, cuidado: pode ser altamente viciante! (eu mesma fiquei uns vinte minutos jogando!)

2. “RR” (Recovery Record)

Aplicativo desenvolvido inicialmente para pacientes com transtornos alimentares, em parceria com a Universidade de Stanford. Permite que o usuário registre sua alimentação (funcionando como um diário alimentar, onde a pessoa anota o que comeu, o que sentiu e pensou, metas sugeridas pela sua equipe de tratamento), tenha acesso a táticas/frases de enfrentamento (o chamado coping) e troque mensagens de apoio com outros usuários.

3. “Eat, Drink & Be Mindful”

Semelhante ao aplicativo anterior, pode ser usado por pessoas que não tenham transtorno alimentar. Incentiva a prática do mindful eating (veja mais aqui).

4. “Vegman”

Aplicativo que conta com auxílio do GPS para encontrar restaurantes vegetarianos e vegans em diversas localidades do mundo. Interessante para quem quer conhecer novas opções gostosas para comer fora (perto de casa, do serviço...).

5. “101 Revolutionary Ways to Be Healthy”

Traz 101 sugestões sobre como ser saudável. O legal é que as sugestões fogem do básico (“coma mais frutas”) e trazem mensagens inclusive sobre auto-aceitação e foco nas mudanças de estilo de vida, e não no peso corporal em si.

6. “The Now”

Em intervalos aleatórios, o aplicativo envia mensagens positivas sobre como aproveitar melhor o momento presente. Ideal para quem precisa quebrar a rotina por alguns segundos durante o dia e desestressar.

7. “Mindfulness Meditation”

Usando os princípios do mindfulness (veja mais aqui), traz gravações em áudio de meditações guiadas com diferentes durações, bem como técnicas de relaxamento. Este é o único da lista que não é gratuito (mas se não me engano custa menos de 3 dólares).

Aproveitando que este é meu último post do ano, deixo o link de uma postagem antiga (mas muito válida ainda!) sobre como aproveitar as festas

Até ano que vem!

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Ritalina não melhora cognição em pessoas saudáveis


Já fez um tempo que venho me assustando com o uso crescente e indiscriminado do metilfenidato (nome comercial: ritalina) por pessoas saudáveis que buscam uma melhora na concentração/cognição, incluindo estudantes e profissionais de saúde. Felizmente, um estudo recente da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) divulgado no jornal Estado de São Paulo encontrou que a substância não traz benefícios a pessoas saudáveis.

Jovens saudáveis entre 18 e 30 anos foram divididos em quatro grupos: um tomou placebo e os outros três tomaram diferentes doses da droga (10, 20 ou 40mg). Os participantes foram então submetidos a diferentes testes que avaliaram grau de atenção, memória e funções executivas (funções como raciocínio, lógica, tomada de decisões). Resultado: o desempenho dos grupos foi semelhante, desbancando a hipótese então de que a ritalina poderia ajudar a "turbinar o cérebro".

Importante ressaltar que o metilfenidato pertence à classe das anfetaminas, assim como os inibidores de apetite recentemente proibidos pela Anvisa (anfepramona, femproporex, mazindol), e seu uso é indicado em casos de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). A substância possui diversos efeitos colaterais (aumento do risco de convulsão, suor, calafrios, prejuízo de julgamento, irritabilidade) e pode provocar dependência, portanto seu uso deve ser muito bem avaliado por um médico.

Quer estudar e trabalhar melhor? Organize-se para ter uma boa noite de sono; alimente-se e hidrate-se bem; faça atividade física e garanta um tempo de lazer. Ainda mais agora com as festas de fim de ano chegando!

sábado, 8 de dezembro de 2012

Mensagens negativas relacionadas ao chocolate podem aumentar seu consumo


Sabemos que muitas pessoas apresentam uma relação de “amor e ódio” com alguns alimentos, e um deles é o chocolate. Ao mesmo que tempo que se deseja, se tenta evitar a qualquer custo, gerando muitas vezes um ciclo de auto-indulgência seguido por culpa. Um novo artigo publicado na revista científica Appetite demonstrou as influências da mídia nos desejos de mulheres por comer chocolate.

As voluntárias da pesquisa (80 mulheres entre 17 e 26 anos, divididas em dois grupos: as que faziam dieta e as que não faziam) foram expostas a propagandas de chocolate com modelos magras ou com excesso de peso e com mensagens positivas ou negativas sobre comer chocolate (do tipo: “coma chocolate, é uma delícia!” ou “chocolate é rico em gordura, não exagere!”). Ao final do experimento, todas tiveram a oportunidade de comer esse alimento (e este consumo foi monitorado pelos pesquisadores).

Observou-se que as mulheres que viram as propagandas com modelos magras apresentaram mais desejo por chocolate, especialmente aquelas que faziam dieta. E tem mais: estas comeram mais e apresentaram mais culpa do que as demais. Além disso, as propagandas com mensagens negativas sobre chocolate aumentaram o desejo por seu consumo.

Trocando em miúdos, o que tudo isso significa?

Um dos pontos que os autores chamaram atenção é que ver constantemente imagens na mídia de modelos magras pode aumentar a ansiedade e a insatisfação corporal de muitas pessoas, o que por usa vez pode levar a um descontrole alimentar ou a um maior desejo por um alimento que seja gostoso e confortante. Por mais paradoxal que possa parecer, isso acontece muitas vezes, em especial entre indivíduos que fazem dieta. Com isso, come-se mais e sente-se mais culpa, reforçando a crença de que “já que eu não consigo me controlar devo mesmo parar de comer esse alimento!”. Ou seja: restrição levando ao exagero, muitas vezes à compulsão.

Em relação às mensagens, já é bastante divulgado o efeitos de orientações muito prescritivas ou proibitivas sobre o consumo alimentar. Quando as participantes leram nas propagandas que o chocolate “é perigoso” e “deve ser evitado”, a reação natural foi uma espécie de “rebelião”, levando a um aumento do desejo por consumi-lo. Já diz o ditado popular: “o que é proibido é mais gostoso”...

Ahh, se apenas nos permitíssemos comer quando realmente estamos com vontade e apreciar o momento, ao invés de já sentir a culpa no momento da primeira mordida...