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segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Comer com Atenção Plena (Mindful Eating) traz benefícios para pessoas com diabetes?


Esse final de semana eu dei mais um curso de Comer com Atenção Plena pela Nutrição Comportamental com duas nutris amigas, a Fernanda Timerman e a Manoela Figueiredo. Já escrevi sobre essa abordagem aqui no blog outras vezes, e é um dos temas que mais tenho estudado e pelo qual tenho me apaixonado a cada dia.
Recentemente, saiu um artigo sobre a aplicação do Mindfulness-Based Eating Awareness Training (MB-EAT, programa de consciência alimentar baseado em Atenção Plena) em pacientes com diabetes tipo 2. O objetivo do estudo foi comparar esse programa – que visa aumentar a consciência dos indivíduos a respeito de seus sinais internos de fome, apetite e saciedade, dentre outras coisas – com uma outra intervenção “convencional” para o tratamento do diabetes, cujo foco é aumentar conhecimento nutricional para melhorar escolhas alimentares. O estudo durou seis meses e contou com cerca de 50 adultos entre 35 e 65 anos, que participaram de uma das duas intervenções citadas.
Os achados indicaram que não houve diferença entre os grupos em relação à perda de peso. Em ambos, houve melhoras significativas em sintomas depressivos e em autoeficácia alimentar, o que levou os autores a concluir que ambas as estratégias são efetivas e válidas no tratamento e controle do diabetes.
Já praticou Atenção Plena hoje? :)
Boa semana a todos!
PS: se você é nutricionista, aproveite para se inscrever na primeira formação do MB-EAT aqui no Brasil, em outubro, proporcionada pela Nutrição Comportamental! Veja aqui.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Perda de peso e aumento de mortalidade no diabetes tipo 2

Já em 2013 eu escrevi um post no blog (veja aqui) sobre os resultados do ensaio clínico Look AHEAD, que teve como objetivo principal avaliar os efeitos de um programa intensivo de mudanças no estilo de vida na perda de peso de mais de 4.000 indivíduos com diabetes tipo 2 (DM2) que apresentavam excesso de peso. Em resumo, obteve-se que a perda de peso nos sujeitos estudados não promoveu uma redução na ocorrência de derrames, ataques cardíacos ou morte por eventos cardiovasculares – mesmo com a melhora nos parâmetros bioquímicos relacionados à ocorrência desses eventos. E agora em janeiro um estudo de coorte foi publicado (veja aqui)  trazendo resultados semelhantes e ainda mais interessantes.

Os pesquisadores acompanharam por 19 anos 761 pacientes adultos com sobrepeso e obesidade que apresentavam diagnóstico recente de DM2. O que se encontrou é que a perda de peso nesses indivíduos – mesmo naqueles com obesidade – foi um fator de risco independente para o aumento da mortalidade por todas as causas. Os autores sugerem um melhor prognóstico para aqueles que mantiveram o peso.

Você não leu errado: perder peso (intencionalmente ou não) pode ser um “tiro pela culatra” para pessoas adultas com diagnóstico de DM2. O estudo controlou diversas variáveis, o que torna esses achados verdadeiramente significantes.

Com base nesse estudo científico, proponho uma reflexão: vamos rever nossas condutas terapêuticas e nossa insistência em usar perda de peso como parâmetro de sucesso de tratamento com nossos pacientes? Vamos focar em mudanças de comportamentos que promovam saúde, mesmo que elas não resultem em perda de peso?
Boa semana a todos!

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Cirurgia bariátrica e diabetes: não é tão simples assim...

Uma das justificativas para o número cada vez maior de cirurgias bariátricas na população com diabetes tipo 2 é a ideia de que o procedimento “curaria” a doença. Mas eu sempre ressalto em minhas aulas sobre diabetes que “o buraco é mais embaixo”.

Sim, muitos pacientes apresentam uma melhora drástica no controle glicêmico nos primeiros dois anos após a cirurgia; porém, o diabetes tipo 2 é uma doença crônica, portanto irreversível, e com diversos processos metabólicos envolvidos, havendo inclusive destruição de células beta (produtoras de insulina). Sendo assim, é bastante comum os pacientes, após esse período inicial de “lua de mel” da cirurgia, voltarem a apresentar descontroles glicêmicos (no jejum e pós-prandial, ou seja, após as refeições) e necessitarem novamente de medicação. Inclusive, um estudo de 2013 (veja aqui) mostrou que após seis anos de cirurgia a taxa de remissão total e parcial do diabetes foi de somente 24 e 26%, respectivamente, mesmo sem reganho significativo de peso. E pasmem: 16% dos pacientes não apresentaram mudança alguma em seu status de doença com o procedimento.

E foi publicado este mês na revista Lancet (séria e confiável revista científica) um estudo no qual 120 pacientes com diabetes tipo 2 foram acompanhados por dois anos: metade fez cirurgia e metade passou por tratamento convencional para a doença. A ocorrência de deficiências nutricionais, fraturas ósseas e infecções foi mais frequente nos indivíduos operados, reforçando ainda mais a necessidade de acompanhamento aos indivíduos com diabetes que optam pela cirurgia (veja estudo aqui).

Então, digo com bastante segurança: não existe ainda cura para o diabetes tipo 2, e o cuidado deve ser constante. Mesmo - ou melhor, especialmente - com a cirurgia bariátrica.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Dia Mundial do Diabetes: repensando o convívio com a doença


O Dia Mundial do Diabetes, comemorado em 14 de novembro, é uma data de sensibilização quanto à prevenção da doença, seu diagnóstico precoce e o controle das variações da glicemia (que é o açúcar do sangue). Tal controle depende intimamente de um estilo de vida saudável, que envolve a prática de atividade física, uma alimentação equilibrada e também o controle do estresse.

Em relação à alimentação, a boa notícia é que as diretrizes mais atuais, como a da American Diabetes Association, não são prescritivas e enfatizam a individualização do plano terapêutico nutricional. Ou seja, elas colocam que não existem “alimentos proibidos” ou comidas específicas que a pessoa com diabetes não possa comer, mas ressaltam que a mudança de comportamentos é sim necessária para um bom controle e convívio com a doença.

Agora em outubro, no workshop do movimento Nutrição Comportamental - do qual faço parte como membro do Genta -, pude falar sobre estratégias para auxiliar na mudança de comportamentos alimentares de indivíduos com diabetes (aliás, haverá um capítulo só sobre o tema no livro da Nutrição Comportamental, que será lançado ano que vem!). E uma dessas estratégias é a prática do mindfulness termo que pode ser traduzido como “atenção plena” (e que também estará no livro!).

A atenção plena é a capacidade de intencionalmente trazer atenção ao momento presente, sem julgamentos ou críticas, com uma atitude de abertura e curiosidade. A prática da atenção plena, que se dá por meio de exercícios meditativos, nos faz responder de forma menos automática a determinados estímulos, inclusive alimentares. Já escrevi nesse blog sobre um estudo que avaliou os benefícios do comer com atenção plena (mindful eating) para o controle metabólico de pacientes com diabetes tipo 2, e outros estudos publicados recentemente (vejam aqui e aqui) já mostraram que a atenção plena promove benefícios na qualidade de vida, na redução do estresse e consequentemente no controle glicêmico de pacientes com diabetes.

Se você conhece alguém com diabetes ou mesmo convive com a doença, não se contente com regras alimentares genéricas sobre o que deve ou não comer. Sua alimentação pode ser pensada de forma global, levando em conta seu estilo de vida, suas preferências e o autoconhecimento de seu corpo e seus sinais internos. Pense nisso.

Aproveito para deixar como dica um outro texto sobre essa data comemorativa, que escrevi em 2011 aqui no blog.
  
Boa semana a todos!

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Novo avanço no tratamento do diabetes



Um novo hormônio isolado por pesquisadores de Harvard pode ser a nova promessa para o tratamento do diabetes tipo 2 (e também tipo 1). Seu nome é betatrophin (talvez seja traduzido para o português como "betatrofina") e sua descoberta foi divulgada na revista científica Cell deste mês.

Seu mecanismo de ação, como o próprio nome evoca, consiste no aumento da proliferação de células beta, células do pâncreas responsáveis por produzir e secretar insulina. Esse efeito por enquanto só foi visualizado em ratos. Segundo os autores da pesquisa, se os resultados forem semelhantes em humanos (ensaios clínicos prometidos para daqui 5 anos) e se um medicamento for produzido a partir desta substância, isso poderia significar que pacientes com diabetes precisariam somente de uma injeção por mês de "betatrofina", ao contrário das múltiplas injeções diárias de insulina.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Considerações sobre o estudo “Look AHEAD”


O ensaio clínico randomizado “Look AHEAD” (“Action for Health in Diabetes”), idealizado no final dos anos 90 e com duração de 13 anos, teve como objetivo principal avaliar os efeitos de um programa intensivo de mudanças no estilo de vida na perda de peso de indivíduos diabéticos do tipo 2 com excesso de peso (mais de 4.000 sujeitos). Esse programa intensivo consistiu na prática de atividades físicas (175 minutos/semana) e dieta (1200 a 1800kca/dia), e os indivíduos do grupo controle passaram por um programa convencional de educação em diabetes. O rigoroso protocolo de pesquisa do ensaio clínico, contendo 113 páginas, pode ser lido aqui.

Hoje, ao final do estudo (alguns artigos ainda estão sendo publicados), os achados principais são os seguintes:

- os indivíduos que passaram pela intervenção (dieta rigorosa + atividade física) foram capazes de perder 5% de seu peso inicial e manter essa perda por 4 anos (o que hoje é considerado sucesso na perda de peso).

- independentemente da perda de peso, já que o grupo controle também apresentou benefícios, as mudanças no estilo de vida trouxeram vários pontos positivos aos participantes: redução de apneia do sono e da necessidade de medicação para o diabetes, melhora nos níveis de alguns exames (glicemia, hemoglobina glicada, colestertol) e na qualidade de vida como um todo.

- finalmente, apesar da perda e manutenção de peso por 4 anos, o estudo não alcançou o principal resultado esperado pelos pesquisadores: redução na ocorrência de derrames, ataques cardíacos ou morte por eventos cardiovasculares (mesmo com a melhora nos parâmetros bioquímicos relacionados com a ocorrência desses eventos).

Meu medo agora é que os pesquisadores encarem o “copo meio vazio”, ou seja: “5% de perda de peso não foi o suficiente? E se os participantes de um próximo estudo fizerem uma dieta MAIS restritiva ainda para perderem MAIS peso? Aí sim!”

O que precisamos nos lembrar é que já houve definições mais rigorosas em outras épocas para o que seria considerado uma “perda de peso de sucesso” (20% dos peso inicial, por exemplo), só que o problema é que de sucesso não havia nada! Os indivídos não conseguiam perder tanto peso e mantê-lo a longo prazo.

Talvez precisemos encarar o “copo meio cheio”, ou seja: uma perda de peso modesta (5% do peso inicial), ou mesmo mudanças no estilo de vida sem que haja necessariamente perda de peso, podem trazer vários benefícios à saúde, inclusive melhorias em alguns fatores de risco para doenças cardiovasculares (glicemia elevada, colesterol elevado).

Bom início de ano a todos!

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Mindful eating melhora o controle do diabetes!


Em homenagem ao Dia Mundial do Diabetes, comemorado nesta última quarta-feira, gostaria de compartilhar os resultados de um estudo interessantíssimo que verificou a eficácia de uma intervenção nutricional focada em mindful eating no controle do diabetes tipo 2.

Mindful eating, que poderia ser traduzido por “comer consciente”, é uma filosofia que eu particularmente adoto com meus pacientes e que defende que devemos respeitar os sinais internos de nosso corpo (fome, saciedade, apetite) para decidirmos o que, quando e quanto comer. Para saber mais, leia o excelente texto escrito pela minha colega Fernanda Timerman no blog do GENTA.

O estudo dividiu 52 adultos diabéticos tipo 2 com pelo menos um ano de doença em dois grupos, que receberam intervenções semanais durante três meses: mindful eating e smart choices (“escolhas inteligentes”). No primeiro, não houve metas nutricionais específicas; os participantes aprenderam técnicas de meditação mindful para auxiliar no momento da decisão e escolha alimentar; aprenderam a identificar os sinais de fome e saciedade e a comer de acordo com eles, bem como identificar a presença de “fome emocional”.

Já no segundo grupo, os diabéticos receberam orientações nutricionais tradicionais, como por exemplo quais são os diferentes tipos de carboidrato, sua influência no controle glicêmico, quanto posso comer, como ler um rótulo, o que comer fora de casa, etc.

Os resultados mostraram que houve redução significante de peso, hemoglobina glicada e ingestão alimentar em ambos os grupos, sem diferença entre eles. Importante ressaltar que a prática de atividade física e uso de medicação também foram semelhantes entre os participantes.

Ou seja: as técnicas de mindful eating se mostraram tão eficazes quanto a educação nutricional tradicional para o controle metabólico de pacientes diabéticos tipo 2.

Bom saber que estou fazendo um bom trabalho!

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Boa notícia para os diabéticos!

Mais uma boa notícia! Além da queda no número de amputações em pacientes diabéticos (http://ocorpoemeu.blogspot.com.br/2012/03/educacao-em-diabetes-promove-queda-no.html), um novo estudo encontrou redução em 40% na taxa de mortalidade por doenças cardiovasculares e derrame em adultos norte-americanos com diabetes. Isso reflete uma melhora no tratamento e no auto-cuidado desses indivíduos.
O estudo foi desenvolvido por pesquisadores do US Centers for Disease Control and Prevention (CDC) e do National Institutes of Health (NIH) e avaliou 250.000 pacientes.
Um detalhe interessante é que a incidência de obesidade entre os diabéticos continua subindo, o que indica que o excesso de peso não impede uma maior longevidade para esses indivíduos.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Educação em diabetes promove queda no número de amputações



Nos dias 24 e 25/3, ocorreu aqui em São Paulo o 15o Congresso da ADJ/Diabetes Brasil, destinado a pacientes com diabetes, onde fui palestrante. Como ainda estou no clima do evento, resolvi dedicar este post aos diabéticos, já que ele traz uma ótima notícia!
O órgão americano CDC ("Center for Disease Control and Prevention", ou seja, "Centro de Controle e Prevenção de Doenças") divulgou que nos últimos 20 anos houve queda significativa no número de amputações em diabéticos.
O estudo, conduzido pelo próprio órgão, avaliou os registros americanos de alta hospitalar entre 1988 e 2008, buscando pacientes com 40 anos ou mais que houvessem perdido dedos, pés ou pernas devido ao diabetes. Apesar dos casos da doença terem triplicado nesse período, o número de amputações caiu de 11 a cada 1000 casos para 4 a cada 1000 casos.
Os autores atribuem esse resultado à uma evolução dos tratamentos existentes atualmente, à maior frequência de monitoração glicêmica e à melhora na educação dos pacientes.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Uso de metformina reduz risco de câncer em pacientes diabéticos

Lendo hoje a última edição da revista da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica), entidade da qual faço parte, vi um texto entitulado “Metformina: nova arma terapêutica para o câncer?”. Isso me fez adiantar a publicação deste post, que ia deixar mais para frente. Mas vamos lá!

Uma recente compilação de estudos, divulgada no site “Drug Discovery and Development” (http://www.dddmag.com/Diabetes-Drug-May-Reduce-Cancer-Risk1-19-12.aspx), indicou que o uso de metformina em pacientes diabéticos reduziu o risco de câncer. Esta droga, comumente usada por pacientes com diabetes tipo 2, parece reduzir o processo de mutação celular e o acúmulo de danos ao DNA, fatores que estão diretamente envolvidos na carcinogênese.

São necessários mais estudos para indicar o uso da droga com a finalidade de prevenção do câncer, ainda mais em pacientes não diabéticos. Entretanto, os resultados das últimas pesquisas são promissores.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Dia Mundial do Diabetes: 5 dicas interessantes para quem tem diabetes


Dia 14/11 foi o Dia Mundial do Diabetes, e aconteceram várias atividades no mundo todo visando detectar novos casos e educar os pacientes que já convivem com a doença. Em homenagem à minha amiga nutricionista Nathália Besenbruch, que tem diabetes desde bebê, queria deixar minha contribuição à data (tudo bem, já passou, mas o que vale é a intenção!): são 5 dicas de como conviver melhor com a doença. Vamos lá!

1. Conheça o seu corpo: o diagnóstico de diabetes, apesar de sua conotação negativa, pode ser encarado com uma oportunidade única de conhecer o próprio corpo e entender melhor como ele funciona. Ouvir outras pessoas com diabetes é interessante, mas não assuma que você terá as mesmas reações/sintomas que ela. Cada corpo é único, aprenda com o seu.

2. Mexa o seu corpo: já se sabe que a prática regular de atividade física ajuda no controle do diabetes, além de todos os outros benefícios que uma atividade prazerosa traz. Mais uma oportunidade única de conhecer os limites do seu corpo e saber o que ele pode fazer por você! Preste atenção aos sinais do seu corpo durante o exercício e nunca o faça em jejum, já que pode gerar hipoglicemia. E se a glicemia estiver muito alta (>200mg/dL), faça atividade leve e monitore a glicemia antes, durante e após. Não esqueça de se hidratar!

3. Reduza o seu nível de estresse: o estresse aumenta a secreção do hormônio cortisol, que gera hiperglicemia e resistência à ação da insulina (hormônio que permite o transporte da glicose para dentro das células). Ou seja, o estresse piora o controle do diabetes! Medite, respire fundo e pense positivo.

4. Respeite e ame o seu corpo: muitos pacientes com diabetes podem eventualmente sentir raiva de seu corpo, e se engajar em pensamentos do tipo "por que comigo?". A partir do momento que respeitamos e honramos nossos corpos, estamos automaticamente melhorando nosso auto-cuidado. Afinal, como dizia Caetano Veloso, "qaundo a gente gosta, é claro que a gente cuida".

5. Encontre profissionais que você goste e confie: o tratamento do diabetes, assim como de qualquer doença crônica, é multiprofissional. Encontre profissionais capacitados em diabetes, que você goste e confie. Assim, a comunicação e o tratamento se tornam mais fáceis.