Acho que ninguém vai discordar que comer devagar tem suas
vantagens: você aprecia mais a comida; facilita seu trabalho digestivo; é capaz
de perceber melhor os sinais de saciedade, o que talvez faça com que coma
menos... E agora os pesquisadores descobriram mais um benefício: quando você
come devagar, seu corpo gasta mais calorias para digerir a comida.
O estudo (veja aqui)
consistiu no seguinte: mulheres obesas na pré menopausa fizeram uma mesma
refeição em dois dias distintos. No dia 1, a comida foi consumida por elas em
40 minutos, e no dia 2 em apenas 10 minutos. Avaliações metabólicas e de
composição corporal também foram feitas em ambas as ocasiões. O que se viu foi
que quando as mulheres comeram mais lentamente, o efeito térmico dos alimentos
– a quantidade de calorias que o corpo
gasta a fim de fazer a digestão do que comemos – foi maior, bem como os níveis
de adiponectina – substância que protege a saúde cardiovascular e aumenta a
sensibilidade à insulina.
Apesar da amostra pequena (dez mulheres voluntárias), o
estudo foi muito bem conduzido e, na prática, seus resultados sugerem que comer
devagar poderia contribuir, a longo prazo, com uma perda de peso modesta, mesmo
que o indivíduo não mude em nada a quantidade e o tipo de alimento que está
comendo.
E você, já planejou e reservou um tempo razoável para fazer suas refeições hoje?
Mostrando postagens com marcador resistência à insulina. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador resistência à insulina. Mostrar todas as postagens
terça-feira, 13 de outubro de 2015
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
Brinquemos!
Final de semana prolongado, crianças em casa... O que fazer? Brinque com elas! Um estudo recente publicado no prestigiado JAMA (Journal of the American Medical Association) avaliou o efeito de um programa de treinamento aeróbico na glicemia de jejum, resistência à insulina e adiposidade geral e visceral de crianças com excesso de peso (sendo que 30% delas já apresentavam pré-diabetes).
Foram selecionados seis grupos de 30 a 40 crianças entre 7 e 11 anos de idade no período de 2003 a 23006. Dois grupos se tornaram controle e quatro grupos passaram pelo tal treinamento aeróbico, que consistia em 20 ou 40 minutos de brincadeiras: pular corda, jogos de corrida, futebol e basquete. As atividades físicas ocorreram todos os dias após a escola por 15 semanas. O grupo controle e seus familiares foram instruídos a manterem suas atividades usuais e todas as famílias passaram por palestras educativas mensais que abordavam assuntos como alimentação saudável e manejo do estresse.
Os resultados mostraram que houve redução em todos os parâmetros avaliados nos grupos que realizaram atividade física, independentemente de gênero e raça. O mais interessante é que a taxa de retenção do estudo foi de 94%, ou seja, as crianças de fato aderiram à prática regular de atividade física.
Talvez porque fosse divertido, e não algo focado puramente na perda de peso. Os pesquisadores deixaram bem claro no estudo que a ênfase dada era na diversão e segurança durante as atividades, e não na melhora de habilidades e competição.
Portanto, a mensagem do feriado é a seguinte: brinquemos todos! É bom para saúde e para o vínculo familiar!
Foram selecionados seis grupos de 30 a 40 crianças entre 7 e 11 anos de idade no período de 2003 a 23006. Dois grupos se tornaram controle e quatro grupos passaram pelo tal treinamento aeróbico, que consistia em 20 ou 40 minutos de brincadeiras: pular corda, jogos de corrida, futebol e basquete. As atividades físicas ocorreram todos os dias após a escola por 15 semanas. O grupo controle e seus familiares foram instruídos a manterem suas atividades usuais e todas as famílias passaram por palestras educativas mensais que abordavam assuntos como alimentação saudável e manejo do estresse.
Os resultados mostraram que houve redução em todos os parâmetros avaliados nos grupos que realizaram atividade física, independentemente de gênero e raça. O mais interessante é que a taxa de retenção do estudo foi de 94%, ou seja, as crianças de fato aderiram à prática regular de atividade física.
Talvez porque fosse divertido, e não algo focado puramente na perda de peso. Os pesquisadores deixaram bem claro no estudo que a ênfase dada era na diversão e segurança durante as atividades, e não na melhora de habilidades e competição.
Portanto, a mensagem do feriado é a seguinte: brinquemos todos! É bom para saúde e para o vínculo familiar!
domingo, 15 de abril de 2012
Lipoaspiração abdominal não melhora resistência à insulina e fatores de risco cardiovascular em mulheres obesas
Hoje li um estudo de 2004 muito bem conduzido, que merece ser comentado: “Absence of an effect of liposuction on insulin action and risk factors for coronary heart disease” (o link está na lista aqui do blog de artigos interessantes).
O estudo avaliou o efeito da lipoaspiração abdominal de alto volume na melhora de fatores de risco cardiovascular (circunferência abdominal, pressão arterial, concentração de lipídios no plasma e marcadores sorológicos de inflamação) e na melhora da sensibilidade à insulina de mulheres obesas que apresentavam resistência à ação desse hormônio.
Simplificando: os pesquisadores submeteram 15 mulheres obesas à lipoaspiração abdominal, retirando da região um total de 10kg de gordura subcutânea (aproximadamente 20% do total de gordura corporal total), e avaliaram os fatores de risco cardiovascular e a presença de resistência à insulina antes do procedimento e depois de 12 semanas. Detalhe: a resistência à insulina foi avaliada com a técnica do clamp euglicêmico e hiperinsulinêmico, que é considerada “padrão-ouro” para esse tipo de avaliação (ou seja, fornece a mais pura e reprodutível informação sobre a ação da insulina nos diferentes tecidos).
Os resultados após 12 semanas indicaram que não houve alterações significativas na sensibilidade à insulina no fígado, músculo e tecido adiposo e em alguns fatores de risco cardiovascular (níveis sanguíneos de lipídios, proteína C-reativa, interleucina-6, fator de necrose tumoral α e adiponectina; e valor de pressão arterial). Isto é: apesar da lipoaspiração ter promovido redução de peso e de circunferência abdominal, não houve mudanças significativas no risco cardiovascular e na resistência à insulina das participantes do estudo.
Muitos profissionais de saúde podem argumentar: “oras, mas a gordura que foi retirada com a lipoaspiração é a gordura abdominal subcutânea, e não a visceral, que é considerada mais prejudicial”. Entretanto, há um contra-argumento: tanto a gordura abdominal subcutânea quanto a abdominal visceral estão associadas à resistência à insulina, como demonstram os seguintes estudos: “Subcutaneous rather than visceral adipose tissue is associated with adiponectin levels and insulin resistance in young men”, revista “Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism”, 2009; “Abdominal subcutaneous and visceral adipose tissue and insulin resistance in the Framingham heart study”, revista “Obesity”, 2010 (links: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/19755479 e http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20339361). Ou seja, era de se esperar que a retirada da gordura subcutânea por meio do procedimento cirúrgico traria benefícios (mesmo que mínimos) nos parâmetros de resistência à insulina, certo?!
Este estudo gera argumentos favoráveis à idéia de que não é o emagrecimento per seque gera benefícios metabólicos, e sim as mudanças no estilo de vida que normalmente acompanham um emagrecimento saudável (melhores hábitos alimentares, prática de atividade física). Os estudos recentes vêm mostrando cada vez mais que uma mudança de foco é necessária: indicadores de saúde podem ser melhorados por meio de mudanças no estilo de vida, independentemente da perda de peso.
O estudo avaliou o efeito da lipoaspiração abdominal de alto volume na melhora de fatores de risco cardiovascular (circunferência abdominal, pressão arterial, concentração de lipídios no plasma e marcadores sorológicos de inflamação) e na melhora da sensibilidade à insulina de mulheres obesas que apresentavam resistência à ação desse hormônio.
Simplificando: os pesquisadores submeteram 15 mulheres obesas à lipoaspiração abdominal, retirando da região um total de 10kg de gordura subcutânea (aproximadamente 20% do total de gordura corporal total), e avaliaram os fatores de risco cardiovascular e a presença de resistência à insulina antes do procedimento e depois de 12 semanas. Detalhe: a resistência à insulina foi avaliada com a técnica do clamp euglicêmico e hiperinsulinêmico, que é considerada “padrão-ouro” para esse tipo de avaliação (ou seja, fornece a mais pura e reprodutível informação sobre a ação da insulina nos diferentes tecidos).
Os resultados após 12 semanas indicaram que não houve alterações significativas na sensibilidade à insulina no fígado, músculo e tecido adiposo e em alguns fatores de risco cardiovascular (níveis sanguíneos de lipídios, proteína C-reativa, interleucina-6, fator de necrose tumoral α e adiponectina; e valor de pressão arterial). Isto é: apesar da lipoaspiração ter promovido redução de peso e de circunferência abdominal, não houve mudanças significativas no risco cardiovascular e na resistência à insulina das participantes do estudo.
Muitos profissionais de saúde podem argumentar: “oras, mas a gordura que foi retirada com a lipoaspiração é a gordura abdominal subcutânea, e não a visceral, que é considerada mais prejudicial”. Entretanto, há um contra-argumento: tanto a gordura abdominal subcutânea quanto a abdominal visceral estão associadas à resistência à insulina, como demonstram os seguintes estudos: “Subcutaneous rather than visceral adipose tissue is associated with adiponectin levels and insulin resistance in young men”, revista “Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism”, 2009; “Abdominal subcutaneous and visceral adipose tissue and insulin resistance in the Framingham heart study”, revista “Obesity”, 2010 (links: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/19755479 e http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20339361). Ou seja, era de se esperar que a retirada da gordura subcutânea por meio do procedimento cirúrgico traria benefícios (mesmo que mínimos) nos parâmetros de resistência à insulina, certo?!
Este estudo gera argumentos favoráveis à idéia de que não é o emagrecimento per seque gera benefícios metabólicos, e sim as mudanças no estilo de vida que normalmente acompanham um emagrecimento saudável (melhores hábitos alimentares, prática de atividade física). Os estudos recentes vêm mostrando cada vez mais que uma mudança de foco é necessária: indicadores de saúde podem ser melhorados por meio de mudanças no estilo de vida, independentemente da perda de peso.
Assinar:
Postagens (Atom)
