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quarta-feira, 22 de junho de 2016

O corpo é seu!



Hoje divulguei na página do Facebook do blog uma propaganda de uma linha americana de roupas plus size falando sobre gordofobia e sobre como pessoas obesas – em especial mulheres – pelo menos uma vez na vida já se sentiram desvalorizadas e incapazes de alcançarem seus sonhos e objetivos, exatamente por terem um corpo mais gordo (veja o vídeo aqui).
Muitas pacientes que eu atendo – pra não dizer todas –, independentemente do tamanho de seus corpos, já se sentiram ou se sentem inadequadas na pele em que habitam. Não só por não corresponderem às múltiplas exigências de um padrão de beleza extremamente rígido, mas também por ouvirem quase todos os dias comentários que menosprezam e depreciam seus corpos. Muitas vezes, são comentários sutis, verbalizados por pessoas próximas (colegas de trabalho, amigos, maridos, pais, etc):
“Você tem um rosto tão lindo, ficaria ainda mais bonita se perdesse só uns 2 kg...”
“Querida, não acho que deva usar essa roupa, ela não te favorece...”
“Nossa, você está barrigudinha hein...”

Acredito que muitas pessoas que fazem esse tipo de comentário não fazem ideia do impacto deletério que eles têm sobre quem está ouvindo, especialmente se for uma pessoa que já apresente questões de autoestima. Nosso self talk - a linguagem mental que usamos para nos referir a nós mesmos, nossa autocrítica - já é tão negativo, somos tão críticos e exigentes conosco mesmo, que acabamos externalizando isso e atingindo aqueles que nos cercam. E quando uma pessoa ouve muitas vezes comentários como os descritos acima, ela passa a acreditar neles e sua visão a respeito de si própria se torna ainda mais negativa.
Quando as pacientes me trazem esses relatos, do que foi dito a respeito do corpo delas, eu sempre questiono como elas reagiram. A maioria diz que não conseguiu dizer nada, com receio de parecer indelicada... E, afinal, fulano não falou por mal/ele só quis ajudar/ele tem razão...
Digo a elas que ninguém tem o direito de fazer comentários inapropriados sobre o corpo delas, não importando a intenção que está por trás (não consigo entender como alguém que deprecia o corpo alheio acredita que tal comentário possa ajudar, mas enfim...). O corpo é seu. Só você sabe o que é viver nele, suas limitações, seus valores, o prazer que ele te gera. Se alguém fizer um comentário que te desagrada, experimente ser assertiva e diga que não se sentiu bem/confortável com o que foi dito. Não tenha receio de defender aquilo que é mais fundamental à sua vida: seu corpo.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

“Eu sou uma porca gorda”



“Eu sou uma porca gorda”. “Minha barriga tem tantas dobras que eu poderia esconder criancinhas nelas”. Infelizmente, é comum na minha prática ouvir pacientes (especialmente mulheres) tratando seus corpos com desprezo ou até mesmo de forma pejorativa, usando por exemplo as frases acima. Apesar de fofa a imagem do animalzinho, minhas pacientes em nada se parecem com ele.

Esse tipo de linguajar usado para ofender seu próprio corpo ou o corpo das outras pessoas é chamado em inglês de fat talk, apesar de muitas vezes não se relacionar só com gordura (um paciente homem já disse por exemplo: "estou tão 'frango' que pareço um aidético", referindo-se ao seu descontentamento com o volume de massa muscular em seu corpo). E o fat talk é extremamente perigoso, apesar de parecer para alguns inofensivo ou até mesmo engraçado.

Em primeiro lugar, é perigoso porque quanto mais você se agride, mais aumenta sua insatisfação corporal (isto é comprovado inclusive por estudos). E quanto mais insatisfeito você está consigo mesmo, menor a probabilidade de você se engajar em seu autocuidado (veja aqui). Além disso, fat talk é como um dominó: você começa se denegrindo, a pessoa ao seu lado vai começar a se denegrir também (“você, gorda suja? E a minha barriga então!”) e logo menos vocês estarão “brigando” para ver quem se odeia mais.

Em segundo lugar, é perigoso porque focar-se nos aspectos negativos de seu corpo normalmente funciona como uma distração de outros aspectos de sua vida que não estão te agradando, ou mesmo como uma fuga de sentimentos difíceis. E se você não se focar no que de fato está te incomodando (seu emprego é um saco, você se sente carente, um amigo querido mudou de cidade), você não será capaz de enfrentar a situação e se sentir melhor.

Portanto, aí vai uma sugestão: tente se tratar com mais respeito! Você é muito mais do que sua aparência! Pense no que você diria sobre si mesmo caso fosse proibido falar sobre seu corpo. O que você tem a oferecer de positivo?


Boa semana a todos!