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quarta-feira, 6 de abril de 2016

Quando a motivação é o emagrecimento... Que mal há?



“Bom dia, Fulano, me conte um pouco sobre você e sobre como posso te ajudar”. Essa é sempre uma das primeiras perguntas que faço a meus pacientes novos, e confesso que fico com um pé atrás quando a resposta é uma variante de “eu quero perder peso”, mesmo quando o indivíduo de fato poderia ser classificado como sobrepeso ou obeso.

Não é porque eu não queira entender e validar o desejo de emagrecer daquela pessoa; concordo que, em nossa sociedade bastante gordofóbica, é difícil ser obeso. É difícil se sentir confiante e ter crítica a todo momento do padrão de imagens manipuladas e glamourizadas de corpos que nos é imposta. É difícil lidar com algumas limitações de um corpo gordo (por exemplo, encontrar roupas confortáveis e que não pareçam “sacos de vestir”, como uma paciente minha descreveu).
A razão principal para eu ficar ressabiada quando o indivíduo diz que veio me procurar porque quer perder peso é simples: percebo que o desejo de emagrecer não é um bom motivador para mudanças de comportamento duradouras.
Explico melhor: sou muito fã dos chamados baby steps, ou seja, das mudanças pequenas mas que vamos fazendo consistentemente e que ao longo do tempo nos alavancam a mudanças maiores e mais impactantes. Um paciente que quase nunca come salada e frutas, por exemplo, provavelmente não vai perder peso tão já; é preciso criar uma meta pequena, como inserir uma fruta no meio da tarde, para depois de um tempo – quando essa fruta virar hábito – inserir um legume da preferência do paciente no almoço, e também no jantar, e mais uma fruta... Até que chegamos a um padrão adequado e saudável de alimentação. Acho que a maioria dos nutricionistas há de concordar que pequenas mudanças graduais são mais vantajosas a longo prazo que grandes mudanças radicais e abruptas.
Mas aí entra a ironia da história: quando a motivação do paciente para mudar comportamentos é emagrecer, ele muitas vezes não tem a paciência e a disposição para seguir esse processo orgânico. Porque começar comendo uma fruta, e depois aumentar para duas, e depois colocar a salada não necessariamente faz com que o indivíduo perca peso de forma rápida. Apesar dos benefícios à saúde que esses comportamentos estão trazendo, a tão esperada mudança corporal não vem na mesma velocidade. Então, o indivíduo desanima. Vem o pensamento: se não consigo fazer “perfeito”, do que adianta? Aí, o modo “dane-se” é ativado e a pessoa volta a se comportar como antes. Algo parecido acontece com a prática de atividade física: ou o indivíduo já começa a academia de segunda a sexta, uma hora ao dia, ou então “do que adianta” fazer duas vezes por semana por 40 minutos? Todo mundo sabe que isso não resolve nada! Nesse momento, o imediatismo toma conta e parece que qualquer coisa vale, contanto que o número na balança caia progressivamente.
Por isso que acho contraproducente enfatizar a medida do resultado do tratamento nutricional em número de quilos perdidos. Prefiro medir com base nos comportamentos que foram modificados e no bem-estar/saúde que essas mudanças trouxeram, independentemente da perda de peso. Como diz a nutricionista americana Mary Ryan, autora do blog BeyondBroccoli: progress, not perfection (progresso, e não perfeição).

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Como aproveitar melhor as festas de fim de ano


Eu adoro as festas de final de ano. Momento de antecipar as coisas boas que estão por vir no ano seguinte, rever o que aconteceu de importante nesse ano que passou, reencontrar familiares e amigos queridos... E estar na presença da comida. Normalmente bastante comida. Enquanto para alguns isso é tranquilo, para outros pode ser aterrorizante, assim como esse famoso quadro de Edvard Munch.

Para que estas pessoas já possam se preparar, resolvi adiantar este texto com algumas dicas sobre como aproveitar melhor as festas:

1. Pense nas comidas e nos alimentos típicos que mais te geram medo/culpa. De tanto se proibir de comê-los, você pode acabar exagerando. Que tal prepará-los e comê-los nesses dias que ainda faltam para as festas? Assim você reduz o estigma e poderá comê-los com mais tranquilidade na ceia.

2. Pare de pensar no peso que você nem sabe se irá ganhar. É normal comer um pouco a mais durante as festas. Nosso corpo sabe lidar com excessos esporádicos. Se você vier a ganhar um pouco de peso, é bastante provável que o perca quando volta à sua rotina normal, sem precisar se “detoxificar” ou fazer uma dieta para isto.

3. Alimente-se durante os dias 24 e 31/12. Não passe fome o dia todo para poder “caber mais” à noite. Isso vai fazer com que você coma exageradamente e provavelmente mais rápido, sem saborear de verdade a comida. E não era essa a ideia que você tinha em mente quando pensou em fazer isso: seu objetivo era comer mais, mas para aproveitar o que você iria comer.

4. No momento da ceia, observe todos os pratos disponíveis e escolha aquilo que de fato você quer comer. Você não precisa pegar nada que não queira para agradar ninguém. Agrade a si mesmo: monte um prato com as coisas que mais gosta, que normalmente são aquelas que possuem algum significado ou memória alimentar: a farofa fofinha da sua avó, o peru que sua mãe só faz nessa época do ano...; sente-se num local relativamente tranquilo; coma devagar e com prazer.

5. Avalie algumas vezes seu grau de saciedade. Se havia algo que você queria comer mas já está um pouco cheio, não se preocupe: você pode pegar um pouco e guardar para o dia seguinte. Perceba se está pegando a terceira sobremesa porque de verdade a quer ou se já está cedendo ao pensamento “já que”: “já que comi tudo isso, que mal faz um pouco mais...”

6. A comida é parte importante das festas, mas existem outras coisas além dela. Perceba que as celebrações de fim de ano não se resumem só à comida: monte uma decoração bacana na sua casa, compre uma bela toalha de mesa para a ceia, monte suia lista de metas para 2014 e pense em incluir nela uma meta para melhorar seu autocuidado: começar uma nova atividade física prazerosa, fazer um curso, comer uma fruta todo dia, fazer massagem uma vez ao mês...

Vou adorar ouvir outras sugestões bacanas!