Estudando e lendo sobre autocompaixão, tenho me maravilhado cada
vez mais com seu efeito transformador sobre nossas vidas. Autocompaixão é a
habilidade de estar sensível ao seu próprio sofrimento e comprometer-se a agir
da melhor maneira possível para tentar aliviá-lo. Parece simples e até mesmo
óbvio, não?
O que acontece, porém, é que em muitas circunstâncias somos
capazes de potencializar nosso próprio sofrimento. Quando algo ruim acontece ou
ao sentirmos que falhamos, ao invés de reconhecermos nossa vulnerabilidade – afinal,
errar é humano! – e nos tratarmos com gentileza, nos criticamos e nos julgamos,
aumentando ainda mais a sensação de impotência e inadequação. Em última
instância, não encaramos o nosso sofrimento com a atenção e o cuidado que ele
merece. Resultado? Muitas pessoas, frente a uma situação emocionalmente
desafiadora, acabam comendo como forma de aliviar ou de não precisar entrar em
contato com o que está acontecendo.
Existe um ditado budista que diz: cuide da sua dor como se
estivesse cuidando de um amigo que está machucado. Essa fala é muito sábia, pois
de fato não é possível aliviar sofrimento por meio da autocrítica e do
autojulgamento! Então, da próxima vez que sentir que errou, tente estar
presente para si mesmo. Acolha sua dor, sua culpa, e tente não se julgar ou se
criticar demasiadamente nesse momento tão delicado. Se abrace e esteja consigo mesmo.
Pergunte-se o que de melhor você pode fazer para se aliviar e se cuidar.
Explore maneiras alternativas à comida para obter aquilo que de fato você
precisa.
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terça-feira, 8 de novembro de 2016
quinta-feira, 31 de maio de 2012
A importância do ouvir
Esses dias estive pensando sobre o papel dos profissionais de saúde atualmente. Na maioria das vezes, assumimos uma postura essencialmente curativa. Incorporamos a ideia que os casos que atendemos são essencialmente iguais quando a patologia é a mesma. Reduzimos o tempo de atendimento e limitamos as perguntas que fazemos aos pacientes, pois muitas vezes "já sabemos o que eles vão responder". Generalizamos conceitos. Assumimos que sabemos exatamente como "curar" o indivíduo.
Só que, na verdade, não é bem assim.
Os casos e patologias podem ser semelhantes, ter o mesmo diagnóstico, mas as pessoas são diferentes. Suas histórias de vida são diferentes. E quando estamos falando de quadros que envolvem sofrimento psíquico, além de físico, isso se torna especialmente importante.
Um outro problema dessa postura curativa, pelo menos para nós nutricionistas, é o fato de acreditarmos que somos responsáveis pela cura dos sintomas e pela cura do sofrimento de alguém, ao passo que o sofrimento por si só é inerente à existência humana. Temos na manga milhões de prescrições, dicas, sugestões e estratégias, o que de certa forma é importante, mas esquecemos que o principal responsável pela mudança de comportamentos é o próprio paciente. Esquecemos que, muitas vezes, se estimulassemos mais a conversa e adotássemos a escuta ativa, as soluções partiriam do prórpio paciente.
Muitos profissionais se sentem confusos com essa abordagem porque, além de outras coisas, sentem que perderiam a função e a importância dentro do tratamento. E é justamente aí que se enganam. É aí que o vínculo com o paciente se torna mais forte e essencialmente terapêutico. É quando conseguimos obter significados daquilo que ouvimos e que num primeiro momento parecia insignificante.
Tem uma frase da americana Laura Douglass que gosto muito e que me fez repensar meu papel como nutricionista (inclusive, esta frase está neste artigo, muito interessante! Quem quiser manda um email que tenho a versão na íntegra!): "Eu não preciso resolver cada conflito, mas sim criar um contexto, um ambiente propício, em que ideias e posições conflitantes são convidadas a brincar e imaginar novas formas de conviverem juntas".
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