Estudando e lendo sobre autocompaixão, tenho me maravilhado cada
vez mais com seu efeito transformador sobre nossas vidas. Autocompaixão é a
habilidade de estar sensível ao seu próprio sofrimento e comprometer-se a agir
da melhor maneira possível para tentar aliviá-lo. Parece simples e até mesmo
óbvio, não?
O que acontece, porém, é que em muitas circunstâncias somos
capazes de potencializar nosso próprio sofrimento. Quando algo ruim acontece ou
ao sentirmos que falhamos, ao invés de reconhecermos nossa vulnerabilidade – afinal,
errar é humano! – e nos tratarmos com gentileza, nos criticamos e nos julgamos,
aumentando ainda mais a sensação de impotência e inadequação. Em última
instância, não encaramos o nosso sofrimento com a atenção e o cuidado que ele
merece. Resultado? Muitas pessoas, frente a uma situação emocionalmente
desafiadora, acabam comendo como forma de aliviar ou de não precisar entrar em
contato com o que está acontecendo.
Existe um ditado budista que diz: cuide da sua dor como se
estivesse cuidando de um amigo que está machucado. Essa fala é muito sábia, pois
de fato não é possível aliviar sofrimento por meio da autocrítica e do
autojulgamento! Então, da próxima vez que sentir que errou, tente estar
presente para si mesmo. Acolha sua dor, sua culpa, e tente não se julgar ou se
criticar demasiadamente nesse momento tão delicado. Se abrace e esteja consigo mesmo.
Pergunte-se o que de melhor você pode fazer para se aliviar e se cuidar.
Explore maneiras alternativas à comida para obter aquilo que de fato você
precisa.
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terça-feira, 8 de novembro de 2016
quarta-feira, 27 de janeiro de 2016
Compaixão e o ato de comer
Em
meu contínuo estudo e prática de mindfulness
(atenção plena), tenho entrado cada vez mais em contato com textos e
pensamentos do budismo, tradição filosófica que alavancou a
ocidentalização da prática de meditação . Um deles, que li no livro “Savor: Mindful Eating, Mindful Life” (escrito pelo mestre budista Thich Nhat Hahn e a nutricionista americana Lilian
Cheung) é o sutra “A carne do filho”.
O texto está abaixo:
Um casal e o seu filho mais novo estavam cruzando um vasto deserto a
caminho de buscarem asilo em outra região. Mas eles não tinham planejado bem e,
no meio do deserto, estavam somente na metade do caminho quando ficaram sem
comida. Percebendo que todos os três iriam morrer no deserto, os pais tomaram
uma decisão horripilante: matar e comer o próprio filho. Toda manhã eles comiam
um pedacinho da carne do filho, o suficiente para ter energia de caminhar um
pouco mais adiante, o tempo todo chorando: “onde está o nosso garotinho?” Eles
carregavam o restante da carne do filho nos ombros, para que continuasse
secando ao sol. Toda noite o casal olhava um para o outro e perguntava: “onde o
nosso amado filho está agora?” E choravam, puxavam os cabelos e, consternados,
batiam no peito. Finalmente, eles foram capazes de cruzar o deserto e chegar à
nova terra. Quando Buda terminou de contar esta história, perguntou aos monges: “vocês
acham que este casal gostou de comer a carne do filho deles?” “Não”, responderam
os monges. “Esses pais sofreram terrivelmente quando tiveram que ingerir a
carne do filho.” Então Buda disse: “Nós temos que comer de tal maneira que
possibilite o cultivo da compaixão em nossos corações. Temos que comer em
estado de atenção plena; se não, comeremos a carne de nossos próprios filhos.”
A interpretação budista dessa passagem é de que devemos pensar na
interconectividade entre todos os seres vivos e buscar a sustentabilidade quando
comemos, isto é, lembrar que a comida tem caráter sagrado pois uma série de
coisas tiveram que acontecer para que ela chegasse até nós (“um grão de arroz
contém todo o universo”, já diria o autor do livro acima). Muitos budistas são
vegetarianos, pois acreditam que dessa forma estão sendo mais compassivos.
Usando o texto como inspiração para o post de hoje, gostaria de propor
uma reflexão, levando em conta os princípios do Comer com Atenção Plena (Mindful Eating) e minha prática clínica com
aqueles que têm uma relação complicada com a comida: você está sendo compassivo
quando come? Ter compaixão é identificar o sofrimento que existe e lidar com
ele de forma acolhedora, e não com julgamento e autocrítica. Você tem
reconhecido suas dificuldades com a comida e com o corpo e tentado lidar com
elas de forma mais gentil? Você tem estado atento para a maneira como seu corpo
se sente quando comer determinados alimentos, ou tem usado a comida para se machucar
(“já estou tão gordo/a mesmo que não fará diferença comer mais um bombom”) ou
mesmo se confortar?
Tenha em mente que a compaixão – por si próprio, inclusive – é um dos
atributos essenciais para que mudanças ocorram.
Boa semana a todos!
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sábado, 8 de março de 2014
O olhar do outro
Outro dia, resolvi experimentar o recurso de voz do aplicativo Whatsapp para enviar uma mensagem a uma amiga. Quando fui escutar o que tinha gravado, confesso que fiquei um pouco surpresa num primeiro momento com a voz que ouvi. “Espera”, pensei, “ eu falo desse jeito? Minha voz soa assim? Que estranha!”. Entretanto, outras pessoas ouvem minha voz e não acham nada de mais, já estão acostumadas com o jeito que ela soa, e tudo bem.
Acho que algo semelhante acontece quando avaliamos nosso corpo. A tendência, na maioria dos casos, é julgarmos excessivamente aquilo que vemos, e quanto mais observamos parece que mais coisas negativas existem para serem “consertadas”. Somos muito mais críticos ao descrevermos nosso próprio corpo do que o de outras pessoas.
Penso que, para melhorar nossa relação com o corpo, precisamos talvez mudar o modo como interpretamos e julgamos aquilo que enxergamos. Claro que nossas interpretações estão ligadas às nossas experiências e vivências pessoais, e entender/mudar tudo isso requer tempo e disposição. Por isso sempre digo que é muito simplista a ideia de melhorar a satisfação corporal “simplesmente” mudando o corpo, já que dessa forma a mudança seria de fora pra dentro e não de dentro pra fora.
Já diz o ditado, “a beleza está nos olhos de quem vê”. Imagino como seria se pudéssemos exercitar uma visão menos crítica de nós mesmos, se pudéssemos às vezes nos olhar através do olhar do outro...
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Casal será julgado por quase matar a filha por inanição
Não pude deixar passar essa notícia triste e lamentável: foi divulgado no site da CBSNews (http://www.cbsnews.com/8301-504083_162-57327545-504083/wis-couple-arrested-for-allegedly-starving-infant-daughter-in-fear-of-obesity/) que um casal americano será julgado por quase matar por inanição sua filha de 14 meses, pois tinham medo que ela se tornasse obesa. Com 1 ano e 2 meses, a bebê pesava aproximadamente 7kg, que é um valor absurdamente inferior ao recomendado. Além de julgamento, acredito que os pais merecem uma avaliação psiquiátrica rigorosa...
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