Mostrando postagens com marcador tratamento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador tratamento. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Novo avanço no tratamento do diabetes



Um novo hormônio isolado por pesquisadores de Harvard pode ser a nova promessa para o tratamento do diabetes tipo 2 (e também tipo 1). Seu nome é betatrophin (talvez seja traduzido para o português como "betatrofina") e sua descoberta foi divulgada na revista científica Cell deste mês.

Seu mecanismo de ação, como o próprio nome evoca, consiste no aumento da proliferação de células beta, células do pâncreas responsáveis por produzir e secretar insulina. Esse efeito por enquanto só foi visualizado em ratos. Segundo os autores da pesquisa, se os resultados forem semelhantes em humanos (ensaios clínicos prometidos para daqui 5 anos) e se um medicamento for produzido a partir desta substância, isso poderia significar que pacientes com diabetes precisariam somente de uma injeção por mês de "betatrofina", ao contrário das múltiplas injeções diárias de insulina.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Profissionais de saúde apresentam alto grau de estigma contra obesos


Eu já abordei no blog os malefícios e a forte presença em nossa sociedade do estigma contra a obesidade e os indivíduos obesos (aqui e aqui), representado de forma clara na figura acima. Mas achei interessante retomar o tema por conta dos resultados alarmantes de um recente estudo britânico.

A pesquisa avaliou 1130 estudantes das áreas de enfermagem, medicina e nutrição por meio de dois questionários, o Fat Phobia Scale (F-scale) e o Beliefs About Obese People Scale (BOAP). Segundo o estudo, apenas 1,4% dos participantes expressaram atitudes neutras ou positivas para com indivíduos obesos e 10,5% deles apresentaram altos níveis de estigma. Os indivíduos com menor grau de estigma foram os estudantes de enfermagem e os fatores preditores de menor estigma foram maior IMC (por parte dos alunos) e maior compreensão de que a obesidade não está sob o controle do indivíduo, ou seja, entender que a pessoa não é obesa “porque quer”.

Esses resultados são muito sérios. Como é que os profissionais conseguirão tratar de forma adequada e eficaz seus pacientes obesos se acreditam fortemente que eles são “preguiçosos”, “fracos” e “auto indulgentes”, por exemplo? Estudos prévios já verificaram também que os profissionais tendem a ficar menos tempo em consulta com seus pacientes obesos, e estes têm menor acesso a cuidados de medicina preventiva.

Será que estamos mesmo preparados para enfrentar a “epidemia da obesidade” ou será que estamos contribuindo negativamente com a saúde e o bem-estar dos indivíduos com excesso de peso?

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Boa notícia para os diabéticos!

Mais uma boa notícia! Além da queda no número de amputações em pacientes diabéticos (http://ocorpoemeu.blogspot.com.br/2012/03/educacao-em-diabetes-promove-queda-no.html), um novo estudo encontrou redução em 40% na taxa de mortalidade por doenças cardiovasculares e derrame em adultos norte-americanos com diabetes. Isso reflete uma melhora no tratamento e no auto-cuidado desses indivíduos.
O estudo foi desenvolvido por pesquisadores do US Centers for Disease Control and Prevention (CDC) e do National Institutes of Health (NIH) e avaliou 250.000 pacientes.
Um detalhe interessante é que a incidência de obesidade entre os diabéticos continua subindo, o que indica que o excesso de peso não impede uma maior longevidade para esses indivíduos.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Entendendo a motivação para o tratamento nos transtornos alimentares – parte 2

E vamos dar seguimento ao assunto abordado no último post. No artigo “The myths of motivation: time for a fresh look at some received wisdom in the eating disorders”, a autora coloca também algumas reflexões interessantes sobre estratégias motivacionais usadas no tratamento de pacientes com transtornos alimentares:

1. Demonstrar empatia não basta. É necessário adotar uma postura mais firme e pragmática, estabelecendo limites e as variáveis “não-negociáveis” do tratamento (no caso do tratamento nutricional, um exemplo seria o preenchimento do diário alimentar).
2. O melhor indicativo de motivação por parte do paciente é de fato a mudança de comportamento (parece óbvio, mas nem sempre é!).
3. Desde o início do tratamento, o paciente deve entender que a responsabilidade de mudar é dele, que o tratamento é apenas um facilitador.
4. Metas de tratamento não cumpridas devem ser sempre retomadas.
5. Se uma estratégia não está sendo eficaz no tratamento, mude um pouco a abordagem. Não se pode esperar resultados diferentes agindo de uma mesma forma. Afinal, a mudança é um processo ativo, e não algo que “simplesmente acontece”.
6. Se depois de um certo tempo de tratamento o paciente não estiver se engajando nas mudanças comportamentais necessárias para sua melhora, não é errado o profissional admitir que não sabe como ajudá-lo e pedir sugestões de como fazê-lo. Pelo contrário! Isso pode ser bastante produtivo para o tratamento. A relação terapêutica se torna mais forte quando há honestidade de ambas as partes.

E vocês leitores, concordam com essas estratégias? Comentários são sempre bem-vindos e respondidos!

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Entendendo a motivação para o tratamento nos transtornos alimentares

Li esses dias um artigo muito interessante e gostaria de compartilhar um pouco dele com vocês. O título é “The myths of motivation: time for a fresh look at some received wisdom in the eating disorders”, e já está na lista de artigos no canto direito do blog. Minhas reflexões aqui não refletem seu conteúdo total, por isso sugiro que vocês de fato o leiam!

A autora começa colocando que, no campo dos transtornos alimentares, muito se valoriza o engajamento do paciente na construção de um vínculo com os profissionais e seu engajamento na mudança ativa e gradativa de comportamentos. Entretanto, a autora coloca que deve ser considerado o fato de que muitos pacientes desenvolvem um senso de “desesperança”, de que são “um caso perdido”, apesar de quererem se ver livres da doença. Essa negatividade pode vir da longa duração do transtorno, quer seja porque o paciente não buscou tratamento previamente ou porque passou por intervenções e tratamentos ineficazes. Muitas vezes, para complicar a situação, essa desesperança acaba sendo compartilhada por familiares e amigos do paciente, quando não pela própria equipe multiprofissional. Usar frases como “o paciente é crônico” ou “o paciente não está preparado para o tratamento” podem despertar e revelar esse tipo de sentimento.

A autora define o conceito de “motivação para mudança” como sendo a disposição e a habilidade para mudar um determinado comportamento. Para isso, o paciente deve entender a importância desta mudança e deve se sentir confiante para realizá-la. Na área dos transtornos alimentares, segundo a autora, a melhor avaliação da motivação para mudança deve ser a habilidade, ou seja, o que o paciente coloca de fato em prática, e não a disposição, aquilo que ele diz que vai fazer. Assim, ela sugere que uma maneira de limitar o sentimento de frustração que pode surgir é encarar a motivação expressa por meio de palavras como um “manifesto”: o paciente tinha a intenção de colocar em prática o que disse, mas a realidade de executar se mostrou árdua demais.

Como encarar estes manifestos dos pacientes, já que eles não significam de fato que uma mudança concreta está por vir? A autora diz que eles têm vários papéis no curso do tratamento: expressar vontade de mudar, mesmo sabendo que será difícil; deixar familiares e amigos mais tranquilos; demonstrar a necessidade de carinho e atenção; obter distanciamento de responsabilidades e compromissos... Muitas vezes de forma inconsciente, é claro.

Por isso eu reforço: os transtornos alimentares são patologias muito complexas, que requerem profissionais treinados no seu tratamento.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Adolescentes com anorexia nervosa podem apresentar maior dificuldade para tomar decisões


Estudo fresquinho publicado no "International Journal of Eating Disorders" observou um achado que é bastante comum na prática clínica dos transtornos alimentares: adolescentes internados com anorexia nervosa apresentaram maior dificuldade para tomar decisões de uma forma geral, e também para tomar decisões relacionadas ao seu próprio tratamento. A amostra contou com 35 adolescentes com anorexia nervosa e 40 adolescentes saudáveis, que preencheram o "MacArthur Competence Assessment Tool-Treatment" (instrumento usado para comparar habilidades de tomada de decisão).
Os resultados sugerem que adolescentes com anorexia nervosa tendem a pensar de forma mais concreta, envolvendo menor abstração e reflexão, o que pode interferir negativamente na tomada de decisão sobre o curso do próprio de tratamento.