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terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Perda de peso e aumento de mortalidade no diabetes tipo 2

Já em 2013 eu escrevi um post no blog (veja aqui) sobre os resultados do ensaio clínico Look AHEAD, que teve como objetivo principal avaliar os efeitos de um programa intensivo de mudanças no estilo de vida na perda de peso de mais de 4.000 indivíduos com diabetes tipo 2 (DM2) que apresentavam excesso de peso. Em resumo, obteve-se que a perda de peso nos sujeitos estudados não promoveu uma redução na ocorrência de derrames, ataques cardíacos ou morte por eventos cardiovasculares – mesmo com a melhora nos parâmetros bioquímicos relacionados à ocorrência desses eventos. E agora em janeiro um estudo de coorte foi publicado (veja aqui)  trazendo resultados semelhantes e ainda mais interessantes.

Os pesquisadores acompanharam por 19 anos 761 pacientes adultos com sobrepeso e obesidade que apresentavam diagnóstico recente de DM2. O que se encontrou é que a perda de peso nesses indivíduos – mesmo naqueles com obesidade – foi um fator de risco independente para o aumento da mortalidade por todas as causas. Os autores sugerem um melhor prognóstico para aqueles que mantiveram o peso.

Você não leu errado: perder peso (intencionalmente ou não) pode ser um “tiro pela culatra” para pessoas adultas com diagnóstico de DM2. O estudo controlou diversas variáveis, o que torna esses achados verdadeiramente significantes.

Com base nesse estudo científico, proponho uma reflexão: vamos rever nossas condutas terapêuticas e nossa insistência em usar perda de peso como parâmetro de sucesso de tratamento com nossos pacientes? Vamos focar em mudanças de comportamentos que promovam saúde, mesmo que elas não resultem em perda de peso?
Boa semana a todos!

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

O “paradoxo da obesidade” no diabetes tipo 2

Estudos recentes não negam: em algumas doenças crônicas, como hipertensão, insuficiência renal e insuficiência cardíaca, indivíduos com sobrepeso ou mesmo obesidade exibem menores taxas de mortalidade do que indivíduos com peso considerado normal (veja posts antigos a esse respeito aqui e aqui). Convencionou-se chamar essa realidade de “paradoxo da obesidade” (“obesity paradox”).

Duas pesquisas, uma de 2007 (“Translating Research Into Action for Diabetes”, TRIAD) e outra de 2011 (“PROactive Trial”), avaliaram a hipótese do paradoxo da obesidade no diabetes tipo 2 (DM2). Os indivíduos com peso eutrófico (“normal”) no momento da avaliação inicial apresentaram maiores taxas de mortalidade do que os participantes com excesso de peso (sobrepeso ou obesidade). Entretanto, uma limitação de ambos os estudos é que a duração do diabetes era desconhecida, o que pode ter influenciado os resultados.

A fim de minimizar essa influência, uma pesquisa publicada em agosto no respeitado Journal of the American Medical Association (JAMA) comparou indivíduos com peso eutrófico e com excesso de peso no momento do diagnóstico de DM2. Detalhe: a porcentagem desses adultos que desenvolveram a doença mesmo com peso eutrófico chegou a 21%. Os resultados mostraram que aqueles com excesso de peso apresentaram taxas de mortalidade significantemente menores, corroborando portanto com o “paradoxo”. Importante: os achados estatísticos persistiram mesmo após o ajuste para fatores de risco de doenças cardiovasculares, uso de cigarro e status socioeconômico.

Diante de estudos como esse, eu me questiono: será que devemos mesmo insistir na perda de peso como estratégia única e exclusiva para o controle glicêmico dos pacientes com DM2? Ou será que devemos nos preocupar de forma mais concreta com as mudanças alimentares/de estilo de vida que são capazes de promover controle da glicemia, independentemente do emagrecimento?

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Boa notícia para os diabéticos!

Mais uma boa notícia! Além da queda no número de amputações em pacientes diabéticos (http://ocorpoemeu.blogspot.com.br/2012/03/educacao-em-diabetes-promove-queda-no.html), um novo estudo encontrou redução em 40% na taxa de mortalidade por doenças cardiovasculares e derrame em adultos norte-americanos com diabetes. Isso reflete uma melhora no tratamento e no auto-cuidado desses indivíduos.
O estudo foi desenvolvido por pesquisadores do US Centers for Disease Control and Prevention (CDC) e do National Institutes of Health (NIH) e avaliou 250.000 pacientes.
Um detalhe interessante é que a incidência de obesidade entre os diabéticos continua subindo, o que indica que o excesso de peso não impede uma maior longevidade para esses indivíduos.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Cirurgia bariátrica não reduz mortalidade em homens obesos mais velhos

Um estudo americano multicêntrico muito bem conduzido avaliou a mortalidade de pacientes obesos de alto risco após a realização de cirurgia bariátrica, comparando com indivíduos controle. Os pacientes cirúrgicos (n=850; idade média=49,5 anos; IMC médio=47,40kg/m2) e o grupo controle (n=41.244; idade média=54,7 anos; IMC médio=42,00kg/m2) foram acompanhados por um período de 6,7 anos. Os resultados encontraram que, ao parear os pacientes cirúrgicos com os pacientes controle, não houve diferença na mortalidade entre os dois grupos. Uma das justificativas dos autores para este achado surpreendente é o fato da população estudada ser composta por homens mais velhos, ao contrário de outros estudos, que estudaram predominantemente mulheres mais novas.
O estudo “Survival among high risk patients after bariatric surgery” foi publicado na edição de junho deste ano do Journal of the American Medical Association, posso mandar por email a quem tiver interesse.