Aproveitando a ociosidade das férias, decidi buscar em meu IPhone alguns aplicativos interessantes (e gratuitos!) que pudessem favorecer o autocuidado e promover ideias saudáveis. Infelizmente, todos os que eu encontrei são em inglês.
1.“Awesome Eats”
É um jogo infantil em que se tem que completar várias missões específicas usando frutas e legumes. Interessante para as crianças se familiarizarem com os diferentes tipos de vegetais e ao mesmo tempo se divertirem e trabalharem agilidade e raciocínio. Traz também dicas gerais de alimentação saudável. Adultos, cuidado: pode ser altamente viciante! (eu mesma fiquei uns vinte minutos jogando!)
2. “RR” (Recovery Record)
Aplicativo desenvolvido inicialmente para pacientes com transtornos alimentares, em parceria com a Universidade de Stanford. Permite que o usuário registre sua alimentação (funcionando como um diário alimentar, onde a pessoa anota o que comeu, o que sentiu e pensou, metas sugeridas pela sua equipe de tratamento), tenha acesso a táticas/frases de enfrentamento (o chamado coping) e troque mensagens de apoio com outros usuários.
3. “Eat, Drink & Be Mindful”
Semelhante ao aplicativo anterior, pode ser usado por pessoas que não tenham transtorno alimentar. Incentiva a prática do mindful eating (veja mais aqui).
4. “Vegman”
Aplicativo que conta com auxílio do GPS para encontrar restaurantes vegetarianos e vegans em diversas localidades do mundo. Interessante para quem quer conhecer novas opções gostosas para comer fora (perto de casa, do serviço...).
5. “101 Revolutionary Ways to Be Healthy”
Traz 101 sugestões sobre como ser saudável. O legal é que as sugestões fogem do básico (“coma mais frutas”) e trazem mensagens inclusive sobre auto-aceitação e foco nas mudanças de estilo de vida, e não no peso corporal em si.
6. “The Now”
Em intervalos aleatórios, o aplicativo envia mensagens positivas sobre como aproveitar melhor o momento presente. Ideal para quem precisa quebrar a rotina por alguns segundos durante o dia e desestressar.
7. “Mindfulness Meditation”
Usando os princípios do mindfulness (veja mais aqui), traz gravações em áudio de meditações guiadas com diferentes durações, bem como técnicas de relaxamento. Este é o único da lista que não é gratuito (mas se não me engano custa menos de 3 dólares).
Aproveitando que este é meu último post do ano, deixo o link de uma postagem antiga (mas muito válida ainda!) sobre como aproveitar as festas
Até ano que vem!
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
Ritalina não melhora cognição em pessoas saudáveis
Já fez um tempo que venho me assustando com o uso crescente e indiscriminado do metilfenidato (nome comercial: ritalina) por pessoas saudáveis que buscam uma melhora na concentração/cognição, incluindo estudantes e profissionais de saúde. Felizmente, um estudo recente da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) divulgado no jornal Estado de São Paulo encontrou que a substância não traz benefícios a pessoas saudáveis.
Jovens saudáveis entre 18 e 30 anos foram divididos em quatro grupos: um tomou placebo e os outros três tomaram diferentes doses da droga (10, 20 ou 40mg). Os participantes foram então submetidos a diferentes testes que avaliaram grau de atenção, memória e funções executivas (funções como raciocínio, lógica, tomada de decisões). Resultado: o desempenho dos grupos foi semelhante, desbancando a hipótese então de que a ritalina poderia ajudar a "turbinar o cérebro".
Importante ressaltar que o metilfenidato pertence à classe das anfetaminas, assim como os inibidores de apetite recentemente proibidos pela Anvisa (anfepramona, femproporex, mazindol), e seu uso é indicado em casos de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). A substância possui diversos efeitos colaterais (aumento do risco de convulsão, suor, calafrios, prejuízo de julgamento, irritabilidade) e pode provocar dependência, portanto seu uso deve ser muito bem avaliado por um médico.
Quer estudar e trabalhar melhor? Organize-se para ter uma boa noite de sono; alimente-se e hidrate-se bem; faça atividade física e garanta um tempo de lazer. Ainda mais agora com as festas de fim de ano chegando!
sábado, 8 de dezembro de 2012
Mensagens negativas relacionadas ao chocolate podem aumentar seu consumo
Sabemos que muitas pessoas apresentam uma relação de “amor e ódio” com alguns alimentos, e um deles é o chocolate. Ao mesmo que tempo que se deseja, se tenta evitar a qualquer custo, gerando muitas vezes um ciclo de auto-indulgência seguido por culpa. Um novo artigo publicado na revista científica Appetite demonstrou as influências da mídia nos desejos de mulheres por comer chocolate.
As voluntárias da pesquisa (80 mulheres entre 17 e 26 anos, divididas em dois grupos: as que faziam dieta e as que não faziam) foram expostas a propagandas de chocolate com modelos magras ou com excesso de peso e com mensagens positivas ou negativas sobre comer chocolate (do tipo: “coma chocolate, é uma delícia!” ou “chocolate é rico em gordura, não exagere!”). Ao final do experimento, todas tiveram a oportunidade de comer esse alimento (e este consumo foi monitorado pelos pesquisadores).
Observou-se que as mulheres que viram as propagandas com modelos magras apresentaram mais desejo por chocolate, especialmente aquelas que faziam dieta. E tem mais: estas comeram mais e apresentaram mais culpa do que as demais. Além disso, as propagandas com mensagens negativas sobre chocolate aumentaram o desejo por seu consumo.
Trocando em miúdos, o que tudo isso significa?
Um dos pontos que os autores chamaram atenção é que ver constantemente imagens na mídia de modelos magras pode aumentar a ansiedade e a insatisfação corporal de muitas pessoas, o que por usa vez pode levar a um descontrole alimentar ou a um maior desejo por um alimento que seja gostoso e confortante. Por mais paradoxal que possa parecer, isso acontece muitas vezes, em especial entre indivíduos que fazem dieta. Com isso, come-se mais e sente-se mais culpa, reforçando a crença de que “já que eu não consigo me controlar devo mesmo parar de comer esse alimento!”. Ou seja: restrição levando ao exagero, muitas vezes à compulsão.
Em relação às mensagens, já é bastante divulgado o efeitos de orientações muito prescritivas ou proibitivas sobre o consumo alimentar. Quando as participantes leram nas propagandas que o chocolate “é perigoso” e “deve ser evitado”, a reação natural foi uma espécie de “rebelião”, levando a um aumento do desejo por consumi-lo. Já diz o ditado popular: “o que é proibido é mais gostoso”...
Ahh, se apenas nos permitíssemos comer quando realmente estamos com vontade e apreciar o momento, ao invés de já sentir a culpa no momento da primeira mordida...
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
Profissionais de saúde apresentam alto grau de estigma contra obesos
Eu já abordei no blog os malefícios e a forte presença em nossa sociedade do estigma contra a obesidade e os indivíduos obesos (aqui e aqui), representado de forma clara na figura acima. Mas achei interessante retomar o tema por conta dos resultados alarmantes de um recente estudo britânico.
A pesquisa avaliou 1130 estudantes das áreas de enfermagem, medicina e nutrição por meio de dois questionários, o Fat Phobia Scale (F-scale) e o Beliefs About Obese People Scale (BOAP). Segundo o estudo, apenas 1,4% dos participantes expressaram atitudes neutras ou positivas para com indivíduos obesos e 10,5% deles apresentaram altos níveis de estigma. Os indivíduos com menor grau de estigma foram os estudantes de enfermagem e os fatores preditores de menor estigma foram maior IMC (por parte dos alunos) e maior compreensão de que a obesidade não está sob o controle do indivíduo, ou seja, entender que a pessoa não é obesa “porque quer”.
Esses resultados são muito sérios. Como é que os profissionais conseguirão tratar de forma adequada e eficaz seus pacientes obesos se acreditam fortemente que eles são “preguiçosos”, “fracos” e “auto indulgentes”, por exemplo? Estudos prévios já verificaram também que os profissionais tendem a ficar menos tempo em consulta com seus pacientes obesos, e estes têm menor acesso a cuidados de medicina preventiva.
Será que estamos mesmo preparados para enfrentar a “epidemia da obesidade” ou será que estamos contribuindo negativamente com a saúde e o bem-estar dos indivíduos com excesso de peso?
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
Mindful eating melhora o controle do diabetes!
Em homenagem ao Dia Mundial do Diabetes, comemorado nesta última quarta-feira, gostaria de compartilhar os resultados de um estudo interessantíssimo que verificou a eficácia de uma intervenção nutricional focada em mindful eating no controle do diabetes tipo 2.
Mindful eating, que poderia ser traduzido por “comer consciente”, é uma filosofia que eu particularmente adoto com meus pacientes e que defende que devemos respeitar os sinais internos de nosso corpo (fome, saciedade, apetite) para decidirmos o que, quando e quanto comer. Para saber mais, leia o excelente texto escrito pela minha colega Fernanda Timerman no blog do GENTA.
O estudo dividiu 52 adultos diabéticos tipo 2 com pelo menos um ano de doença em dois grupos, que receberam intervenções semanais durante três meses: mindful eating e smart choices (“escolhas inteligentes”). No primeiro, não houve metas nutricionais específicas; os participantes aprenderam técnicas de meditação mindful para auxiliar no momento da decisão e escolha alimentar; aprenderam a identificar os sinais de fome e saciedade e a comer de acordo com eles, bem como identificar a presença de “fome emocional”.
Já no segundo grupo, os diabéticos receberam orientações nutricionais tradicionais, como por exemplo quais são os diferentes tipos de carboidrato, sua influência no controle glicêmico, quanto posso comer, como ler um rótulo, o que comer fora de casa, etc.
Os resultados mostraram que houve redução significante de peso, hemoglobina glicada e ingestão alimentar em ambos os grupos, sem diferença entre eles. Importante ressaltar que a prática de atividade física e uso de medicação também foram semelhantes entre os participantes.
Ou seja: as técnicas de mindful eating se mostraram tão eficazes quanto a educação nutricional tradicional para o controle metabólico de pacientes diabéticos tipo 2.
Bom saber que estou fazendo um bom trabalho!
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
Brinquemos!
Final de semana prolongado, crianças em casa... O que fazer? Brinque com elas! Um estudo recente publicado no prestigiado JAMA (Journal of the American Medical Association) avaliou o efeito de um programa de treinamento aeróbico na glicemia de jejum, resistência à insulina e adiposidade geral e visceral de crianças com excesso de peso (sendo que 30% delas já apresentavam pré-diabetes).
Foram selecionados seis grupos de 30 a 40 crianças entre 7 e 11 anos de idade no período de 2003 a 23006. Dois grupos se tornaram controle e quatro grupos passaram pelo tal treinamento aeróbico, que consistia em 20 ou 40 minutos de brincadeiras: pular corda, jogos de corrida, futebol e basquete. As atividades físicas ocorreram todos os dias após a escola por 15 semanas. O grupo controle e seus familiares foram instruídos a manterem suas atividades usuais e todas as famílias passaram por palestras educativas mensais que abordavam assuntos como alimentação saudável e manejo do estresse.
Os resultados mostraram que houve redução em todos os parâmetros avaliados nos grupos que realizaram atividade física, independentemente de gênero e raça. O mais interessante é que a taxa de retenção do estudo foi de 94%, ou seja, as crianças de fato aderiram à prática regular de atividade física.
Talvez porque fosse divertido, e não algo focado puramente na perda de peso. Os pesquisadores deixaram bem claro no estudo que a ênfase dada era na diversão e segurança durante as atividades, e não na melhora de habilidades e competição.
Portanto, a mensagem do feriado é a seguinte: brinquemos todos! É bom para saúde e para o vínculo familiar!
Foram selecionados seis grupos de 30 a 40 crianças entre 7 e 11 anos de idade no período de 2003 a 23006. Dois grupos se tornaram controle e quatro grupos passaram pelo tal treinamento aeróbico, que consistia em 20 ou 40 minutos de brincadeiras: pular corda, jogos de corrida, futebol e basquete. As atividades físicas ocorreram todos os dias após a escola por 15 semanas. O grupo controle e seus familiares foram instruídos a manterem suas atividades usuais e todas as famílias passaram por palestras educativas mensais que abordavam assuntos como alimentação saudável e manejo do estresse.
Os resultados mostraram que houve redução em todos os parâmetros avaliados nos grupos que realizaram atividade física, independentemente de gênero e raça. O mais interessante é que a taxa de retenção do estudo foi de 94%, ou seja, as crianças de fato aderiram à prática regular de atividade física.
Talvez porque fosse divertido, e não algo focado puramente na perda de peso. Os pesquisadores deixaram bem claro no estudo que a ênfase dada era na diversão e segurança durante as atividades, e não na melhora de habilidades e competição.
Portanto, a mensagem do feriado é a seguinte: brinquemos todos! É bom para saúde e para o vínculo familiar!
sábado, 27 de outubro de 2012
A guerra contra as fast foods. Reloaded.
“Fast food é lixo. Tem um monte de ingredientes estranhos, é cheia de calorias, açúcar e sal e normalmente faz você se sentir mal”. Esse manifesto, bem como a imagem acima (“Coma fast food e morra cedo”), fazem parte de um campanha americana que tem sido amplamente divulgada lá fora chamada Stick It to Fast Food, cujo “simpático” logo é um garfo simbolizando uma mão mostrando o dedo do meio. Já ganhou pontos negativos na minha avaliação só pela grosseria e pelo mau gosto. Como muitos bem sabem, a logomarca representa a essência da mensagem que se quer transmitir com o produto/campanha em questão, e não gosto de nada que vulgariza e negativiza a comida. Mesmo se for uma fast food.
Alguns pontos em defesa da campanha: sim, devemos reduzir o consumo das chamadas comidas rápidas, pois em sua grande maioria elas têm quantidades consideravelmente altas de gorduras, açúcar e sal, que em excesso prejudicam a saúde; sim, devemos prestar mais atenção àquilo que estamos comendo, saber um pouco mais sobre a composição dos alimentos e perceber como de fato nos sentimos quando comemos (não sei vocês, mas eu realmente me sinto um pouco estufada e incomodada fisicamente quando como um Big Mac); sim, devemos nos esforçar para aprender a cozinhar algumas comidas deliciosas e que sejam feitas com ingredientes naturais.
Mas não, não podemos contribuir com a categorização da comida em “saudável” e “não saudável”, pois o que determina uma alimentação saudável é a frequência de consumo dos alimentos, a circunstância, a quantidade e o estilo de vida de cada pessoa. Não podemos contribuir ainda mais com a estigmatização da comida, porque sabemos que isso faz com que as pessoas desenvolvam uma relação ainda mais conturbada com a alimentação. Não podemos assumir que é possível excluir completamente as fast foods do tipo de vida que levamos hoje, pois isso é praticamente impossível e geraria ansiedade e culpa em quem escolhesse comer um Big Mac no final de semana porque sentiu vontade.
Por isso, pode pensar duas vezes antes de comer um Big Mac, se quiser. Mas não morra de culpa se por um acaso decidir comê-lo.
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