
(Tradução: "Qual entrada levanta menos questões éticas?")
Tem sido bastante discutido atualmente que os aspectos médicos e nutricionais da alimentação parecem ser pobres motivadores à mudança de comportamentos alimentares. Ou seja, muitas pessoas já sabem o que “faz bem” e o que “faz mal”, mas as escolhas alimentares permanecem as mesmas. Neste sentido, um
estudo interessante publicado em 2010 avaliou a eficácia de um curso focado nos aspectos éticos, sociais, culturais e ambientais da alimentação sobre o comportamento alimentar de jovens universitários.
A pesquisa realizada nos EUA contou com 100 universitários divididos em dois grupos: 28 participaram do curso descrito acima (“
Food and Society”) e 72 participaram de outros cursos relacionados com saúde (“
Health Psychology”, “
Community Health” e “
Obesity: Clinical Implications”). O primeiro curso era totalmente voltado às questões sociais, éticas e ambientais relacionadas à alimentação, e o material de estudo e discussão englobava livros e filmes famosos como “
O dilema do onívoro”, “
Mindless eating”, “
Food politics” e “
Super size me” (inclusive, leiam e assistam, vale a pena!). Os estudantes preencheram um questionário de frequência alimentar no início e no final do estudo (após três meses de curso).
Os resultados foram interessantíssimos: os alunos do curso “
Food and Society” melhoraram significativamente o consumo de vegetais e houve redução quase significativas no consumo de doces e carnes com alto teor de gordura. Já os alunos que assistiram aos demais cursos não apresentaram melhoras e ainda por cima reduziram de forma significativa o consumo de vegetais. Ou seja, esta pesquisa concluiu que aspectos sociais relacionados à alimentação parecem motivar mais o processo de mudança de comportamento alimentar do que questões relacionadas à saúde.