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sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Cirurgia bariátrica aumenta risco de bebês prematuros

Já atendi algumas mulheres obesas cuja principal motivação para passar pela cirurgia bariátrica era o desejo de ter filhos. Sim, existem riscos associados à gestação quando a mulher é obesa (veja aqui), apesar de que existem pesquisas que indiquem que esses riscos não dependem só do peso inicial da gestante e sim do quanto ela ganha durante a gestação e de sua condição metabólica (ou seja, uma mulher magra que ganhe muito peso durante a gravidez pode ter um risco maior de complicações do que uma obesa metabolicamente controlada; vejam esse blog sobre os mitos da gestação na obesidade).

Neste sentido, estas mulheres que consideram a cirurgia como opção devem estar cientes dos riscos gestacionais que também existem após o procedimento. Um estudo de coorte recente analisou mais de um milhão de partos ocorridos na Suécia entre 1992 e 2009. As mães foram divididas em grupos: aquelas que haviam passado por cirurgia de obesidade (há uma média de cinco anos antes do parto), aquelas que não haviam passado e aquelas com IMC maior que 35 ou 40kg/m² (ou seja, que foram gestantes obesas). Diversos fatores que poderiam influenciar nos resultados do estudo foram controlados: IMC pré-gestacional, presença de tabagismo, idade materna, nível educacional.

Os resultados indicaram que gestantes pós-bariátricas apresentaram maior risco de nascimento pré-termo, ou seja, antes da 37a semana, e maior risco de terem bebês pequenos para a idade gestacional, mesmo comparando com gestantes obesas. Ou seja: neste estudo, as gestantes obesas apresentaram menores riscos que as gestantes pós-bariátricas, grifar! (para nascimentos pré-termo e bebês pequenos para a idade gestacional). Os autores sugerem que grávidas que já passaram pela cirurgia sejam consideradas no pré-natal como um grupo de risco, mesmo apresentando IMC eutrófico (IMC “normal”). Estes dados são evidências importantes que devem ser analisados durante a tomada de decisão para a cirurgia bariátrica.

Bom final de semana a todos!

domingo, 28 de julho de 2013

Deixem Kate em paz!

Esta semana fiquei indignada com um comentário que li no Facebook, que dizia mais ou menos assim:

"Nossa, já faz quatro dias que a princesa (Kate Middleton) teve o nenê e ela ainda está gordinha??" (em referência à foto abaixo)


Indignação número 1: a mulher tem uma gestação de nove meses, repleta de modificações hormonais e estruturais para gerar um bebê, e espera-se que em quatro dias seu corpo já tenha voltado ao normal? De verdade?

Indignação número 2: gordinha??? Onde???

Mas já era de se esperar comentários desse tipo. A indústria da dieta é tão perspicaz que é capaz de convencer mulheres que o principal benefício da amamentação é gastar calorias, e não estabelecer um vínculo forte e saudável com seu filho; é capaz de fazer as novas mamães acreditarem na promessa de que não importa o quão modificada e confusa vai se tornar a vida delas a partir de agora; não importa o quão sobrecarregadas e desconectadas do seu próprio corpo elas se sentirão: tudo será resolvido se pelo menos elas puderem "consertar" seus corpos.

Precisamos ter em mente que nosso corpo é um reflexo das nossas vivências, e que saber respeitá-lo é saber entender e aceitar nossa história de vida.

Precisamos refletir se nossos pensamentos a respeito de corpo e peso estão ocupando boa parte do nosso tempo e se estão mobilizando boa parte de nossos esforços. Afinal, existem coisas maiores e mais importantes.