Não aguentei e resolvi escrever rapidinho sobre outra reportagem da Time (http://www.time.com/time/nation/article/0,8599,1919885,00.html): resultados de um estudo americano de 2009 revelam que a criança tende a comer mais quando está com um amigo do que quando está com outra criança que não conhece, especialmente se ambos estiverem acima do peso. Justificativas da autora (rufem os tambores!):
1. Obesidade é contagiosa (!)
2. Comer com uma pessoa acima do peso automaticamente faz com que você passe a "tolerar" mais a obesidade (sim, claro, porque a obesidade é intolerável nesse mundo regido por um padrão rígido e inatingível de magreza)
Eu tenho uma justificativa melhor: será que os gordinhos não comem mais com amigos gordinhos porque dessa forma não sofrerão discriminação por comerem isso ou aquilo?
A Time também fala de outro estudo que mostrou que mulheres tendem a comer menos quando estão em companhia de homens, mas o inverso não ocorre. Claro, a comida é tão moralizada atualmente que é esperado pela sociedade que uma mulher coma menos, onde já se viu comer mais?!
Atenção: fazer dieta e se preocupar excessivamente com comida e peso são os maiores sedativos políticos da mulher! Por isso que eu digo: amigas, não se envergonhem de pedir aquele hamburguer de picanha com muita maionese quando forem à lanchonete com alguém! Será um super diferencial!
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Pais perdem a guarda de filhos obesos mórbidos
Uma reportagem publicada no site da Time (http://www.time.com/time/health/article/0,8599,1930772,00.html) desperta a polêmica: será que os pais de crianças com obesidade mórbida deveriam perder a guarda dos filhos?
Alguns profissionais, que acreditam que a obesidade é culpa de pais desnaturados que dão muita comida às crianças, votam no "sim"; porém, alguns profissionais mais sensatos que entendem que a questão da obesidade vai muito além do ambiente familiar, votam no "não". Afinal, existem muitos fatores a serem considerados: será que a criança não tem um problema metabólico? Será que ela não está tendo compulsão escondida? Será que as propagandas de televisão não estão incentivando o consumo excessivo de alimentos 24 horas por dia? Uma das mães que perdeu seu filho, por exemplo, desconfiava que ele tivesse algum problema endócrino, mas não tinha recursos para levá-lo em consultas médicas, o sistema público de saúde não quis atendê-lo...
Só me restam duas questões:
1. se o problema for mesmo excesso de comida, será que tirar a criança da mãe não vai gerar um estresse emocional maior, levando-a a comer mais?
2. será que as próximas crianças a serem tiradas de suas mães serão as adolescentes quase baixo-peso que querem ser iguais às modelos das revistas?
Alguns profissionais, que acreditam que a obesidade é culpa de pais desnaturados que dão muita comida às crianças, votam no "sim"; porém, alguns profissionais mais sensatos que entendem que a questão da obesidade vai muito além do ambiente familiar, votam no "não". Afinal, existem muitos fatores a serem considerados: será que a criança não tem um problema metabólico? Será que ela não está tendo compulsão escondida? Será que as propagandas de televisão não estão incentivando o consumo excessivo de alimentos 24 horas por dia? Uma das mães que perdeu seu filho, por exemplo, desconfiava que ele tivesse algum problema endócrino, mas não tinha recursos para levá-lo em consultas médicas, o sistema público de saúde não quis atendê-lo...
Só me restam duas questões:
1. se o problema for mesmo excesso de comida, será que tirar a criança da mãe não vai gerar um estresse emocional maior, levando-a a comer mais?
2. será que as próximas crianças a serem tiradas de suas mães serão as adolescentes quase baixo-peso que querem ser iguais às modelos das revistas?
domingo, 2 de maio de 2010
Um desabafo: não espere a vida acontecer, viva o agora!
Meu objetivo hoje era postar sobre um caso na Europa em que pais perderam a guarda do filho por ele ser obeso mórbido, e teoricamente alguém resolveu acusar os pais de "maus-tratos"... Entretanto, mais tarde vou à missa com um amigo meu que estuda Direito na São Francisco e ele vai me dizer o que acha dessa história toda, se isso é válido perante a lei ou não, essas coisas... Vou esperar até amanhã então para deixar o post mais completo para vocês...
Resolvi aproveitar o espaço para um breve desabafo, baseado em alguns cometários que rolaram hoje num almoço em família... Não aguento mais ouvir pessoas que vão "esperar emagrecer dois quilinhos" para comprar uma roupa que querem, ou para experimentar aquele biquini novo na piscina do prédio... Talvez seja tarde demais, sabia?! Ou talvez você não chegue a emagrecer os fatídicos dois quilinhos, ou talvez você emagreça e ainda assim não fique satisfeito... Ou talvez a roupa que você queria saia de moda, e o inverno chegue e você não consiga aproveitar a piscina do seu prédio...
VIVA SUA VIDA AGORA, NÃO IMPORTA O PESO QUE VOCÊ TENHA!!! Se você realmente tentar, é bem capaz que perceba que seu peso não te impede de nada, e que você pode ser feliz junto com seus dois quilinhos.
Resolvi aproveitar o espaço para um breve desabafo, baseado em alguns cometários que rolaram hoje num almoço em família... Não aguento mais ouvir pessoas que vão "esperar emagrecer dois quilinhos" para comprar uma roupa que querem, ou para experimentar aquele biquini novo na piscina do prédio... Talvez seja tarde demais, sabia?! Ou talvez você não chegue a emagrecer os fatídicos dois quilinhos, ou talvez você emagreça e ainda assim não fique satisfeito... Ou talvez a roupa que você queria saia de moda, e o inverno chegue e você não consiga aproveitar a piscina do seu prédio...
VIVA SUA VIDA AGORA, NÃO IMPORTA O PESO QUE VOCÊ TENHA!!! Se você realmente tentar, é bem capaz que perceba que seu peso não te impede de nada, e que você pode ser feliz junto com seus dois quilinhos.
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Dieta "louca": fazer jejum todo dia; dieta "aceitável": fazer jejum dia sim dia não!
Incrível como a "ciência" não para de me surpreender...! A gente já sabe que existem dietas loucas nas revistas e em alguns livros duvidosos, agora, numa publicação científica...!
Pesquisadores americanos fizeram o seguinte: colocaram 20 obesos (ainda bem que eram poucos!) para fazer durante 8 semanas o que se chama de "alternate day fasting", isto é, "dia alternado de jejum". Ou seja, num dia a pessoa come somente 25% das calorias diárias (até para as nutricionistas mais radicais e pró-dieta isso soa assustador!) e no outro pode se matar de comer... Ah, mas claro! Não bastava só isso! Através de orientação nutricional semanal, foi sugerido aos indivíduos que, nesse dia do "vale-tudo", consumissem ALIMENTOS SAUDÁVEIS!! Rá! Acho que o momento é propício para algumas considerações:
1. Apesar dos resultados favoráveis obtidos pelo estudo (perda de peso, diminuição de gordura corporal e afins), há de se considerar que a amostra - isto é, o número de indivíduos que participaram do estudo - foi muito pequena, o que inviabiliza generalizar os resultados... Portanto, não sigam esse exemplo!!!
2. Ok, durante 12 semanas eles perderam peso... E quem garante que eles mantiveram esse peso depois?! Será mesmo que eles vão continuar para o resto da vida fazendo jejum dia sim dia não?! "Poxa, o dia de jejum caiu bem no Natal... Ok, deixa para lá, vou pular o jejum de hoje e compenso com jejum duplo amanhã e depois!"
3. Não consigo entender qual a ética num estudo que incentiva a compulsão e a adoção de um estilo de vida completamente inadequado e danoso à saúde física e mental...
Desculpem o tom irônico do post, é que tem tanta coisa absurda nisso tudo que eu não consegui deixar passar... Aguardo os comentários de vocês!
Pesquisadores americanos fizeram o seguinte: colocaram 20 obesos (ainda bem que eram poucos!) para fazer durante 8 semanas o que se chama de "alternate day fasting", isto é, "dia alternado de jejum". Ou seja, num dia a pessoa come somente 25% das calorias diárias (até para as nutricionistas mais radicais e pró-dieta isso soa assustador!) e no outro pode se matar de comer... Ah, mas claro! Não bastava só isso! Através de orientação nutricional semanal, foi sugerido aos indivíduos que, nesse dia do "vale-tudo", consumissem ALIMENTOS SAUDÁVEIS!! Rá! Acho que o momento é propício para algumas considerações:
1. Apesar dos resultados favoráveis obtidos pelo estudo (perda de peso, diminuição de gordura corporal e afins), há de se considerar que a amostra - isto é, o número de indivíduos que participaram do estudo - foi muito pequena, o que inviabiliza generalizar os resultados... Portanto, não sigam esse exemplo!!!
2. Ok, durante 12 semanas eles perderam peso... E quem garante que eles mantiveram esse peso depois?! Será mesmo que eles vão continuar para o resto da vida fazendo jejum dia sim dia não?! "Poxa, o dia de jejum caiu bem no Natal... Ok, deixa para lá, vou pular o jejum de hoje e compenso com jejum duplo amanhã e depois!"
3. Não consigo entender qual a ética num estudo que incentiva a compulsão e a adoção de um estilo de vida completamente inadequado e danoso à saúde física e mental...
Desculpem o tom irônico do post, é que tem tanta coisa absurda nisso tudo que eu não consegui deixar passar... Aguardo os comentários de vocês!
terça-feira, 20 de abril de 2010
Paciente morre três dias após realizar cirurgia bariátrica
Segundo site do "Los Angeles Times" (http://www.latimes.com/business/la-fi-hiltzik18-2010apr18,0,4485135.column), um paciente obeso de 35 anos faleceu três dias após a realização de uma cirurgia para colocação de banda gástrica, aquele anel que envolve a parte superior do estômago e cujo objetivo é reduzir o apetite. O que motivou a realização da cirurgia foi um outdoor muito comum no sul da Califórnia, segundo o jornal, de uma clínica particular de um grupo de cirurgiões denominados "Top Surgeons", ironicamente traduzido como "Cirurgiões Superiores". Entretanto, eis a causa da morte: peritonite (inflamação no peritônio, que é um tecido que reveste a parede abdominal) devido à cirurgia de obesidade. Era de se esperar que os tais cirurgiões fossem bons, afinal, com esse nome e uma clínica em Beverly Hills... Antes gordo e vivo, creio eu.
Amanhã tem mais! ;O)
Amanhã tem mais! ;O)
domingo, 11 de abril de 2010
Minhas impressões sobre a peça "Gorda"
Ontem fui assistir à peça "Gorda", em cartaz no Procópio Ferreira, já havia comentado sobre ela aqui. Gostei bastante dos atores - especialmente do casal principal - e do enredo, que basicamente mostra o preconceito que Helena, a protagonista (Fabiana Karla, do "Zorra Total"), sofre por parte dos "amigos" de seu novo namorado (Tony, interpretado por Michel Berkovitch) por ser gorda. Para não cair na tentação de contar o final da história - o mocinho fica ou não com ela?! -, limito-me a dizer: como é difícil manter nossas convicções num mundo em que estamos tão deseperadamente ansiosos para sermos aceitos! Enfim, mas duas coisas em especial me chamaram a atenção na peça:
1. foi super interessante perceber algo que a ciência e a prática clínica já comprovam: as razões pelas quais os "amigos" de Tony (Caco e Joana) zombavam da protagonista tinham a ver com suas prórpias experiências negativas em relação à obesidade, não tinham nada a ver com o simples fato dela ser gorda! Ou seja, o problema estava neles, e não nela! Exemplificando: Caco criticou seu amigo por estar saindo com Helena por conta de sua própria mãe ter sido gorda a vida toda, e ele sentir vergonha dela; Joana usou dos mais variados insultos para se referir à protagonista porque Tony era seu ex-namorado e a havia trocado por outra mulher.
2. me incomodou um pouco ver a reação das pessoas diante das piadas e expressões horrendas usadas para se referir à protagonista ao longo da peça: gargalhadas escancaradas e nervosas. Claro, é mais fácil rir ao ver seus próprios preconceitos claramente retratados do que admitir a si mesmo que a conduta está claramente inadequada. Quantas vezes, para esconder o nervosismo, não rimos como se tudo estivesse bem? Duvido que se a peça retratasse o preconceito contra um negro, por exemplo - algo que já é assumidamente condenado pela sociedade -, a platéia riria tanto quanto riu ontem à noite; acho que, ao contrário, eles se sentiriam perplexos e sem graça.
Sugiro a todos que assistam ao espetáculo e depois me contem aqui suas próprias impressões!
1. foi super interessante perceber algo que a ciência e a prática clínica já comprovam: as razões pelas quais os "amigos" de Tony (Caco e Joana) zombavam da protagonista tinham a ver com suas prórpias experiências negativas em relação à obesidade, não tinham nada a ver com o simples fato dela ser gorda! Ou seja, o problema estava neles, e não nela! Exemplificando: Caco criticou seu amigo por estar saindo com Helena por conta de sua própria mãe ter sido gorda a vida toda, e ele sentir vergonha dela; Joana usou dos mais variados insultos para se referir à protagonista porque Tony era seu ex-namorado e a havia trocado por outra mulher.
2. me incomodou um pouco ver a reação das pessoas diante das piadas e expressões horrendas usadas para se referir à protagonista ao longo da peça: gargalhadas escancaradas e nervosas. Claro, é mais fácil rir ao ver seus próprios preconceitos claramente retratados do que admitir a si mesmo que a conduta está claramente inadequada. Quantas vezes, para esconder o nervosismo, não rimos como se tudo estivesse bem? Duvido que se a peça retratasse o preconceito contra um negro, por exemplo - algo que já é assumidamente condenado pela sociedade -, a platéia riria tanto quanto riu ontem à noite; acho que, ao contrário, eles se sentiriam perplexos e sem graça.
Sugiro a todos que assistam ao espetáculo e depois me contem aqui suas próprias impressões!
terça-feira, 6 de abril de 2010
O "paradoxo francês"
Muitas pessoas se questionam a respeito do chamado "paradoxo francês", isto é, os baixos índices de doença cardiovascular na França apesar da culinária do país usar e abusar de manteiga, cremes e outras gorduras saturadas, ruins para a saúde se consumidas em excesso. Seguindo a tendência de atribuir poderes fantásticos a determinados alimentos, muitos estudiosos dizem que este paradoxo é resultado do consumo diário de vinho tinto pelos franceses, bebida que possui várias substâncias capazes de proteger a saúde do coração. Será que é só isso mesmo? Será que não existem outros fatores no ESTILO DE VIDA - sim, isso é tão importante e muita gente não dá valor! - da população francesa capazes de protegê-la dessas doenças? Quem pesquisa mais a fundo e quem já morou na França - é o caso de uma amiga nutricionista e gastrônoma - sabe que os franceses, ao contrário dos americanos (um dos países com maiores índices de doenças cardiovasculares do mundo), prezam três coisas: moderação, isto é, porções menores de comida em cada refeição; qualidade, isto é, uso de ingredientes frescos e naturais no preparo da comida; e ênfase na experiência alimentar, isto é, refeições mais demoradas e tranquilas, valorizando a culinária e o preparo da própria refeição. Como se não bastasse, os franceses em seu cotidiano realizam mais atividade física, caminham mais, andam de bicicleta para ir ao trabalho...
É, os americanos tem muito o que aprender com os franceses...!
É, os americanos tem muito o que aprender com os franceses...!
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