quarta-feira, 15 de maio de 2013

Novo avanço no tratamento do diabetes



Um novo hormônio isolado por pesquisadores de Harvard pode ser a nova promessa para o tratamento do diabetes tipo 2 (e também tipo 1). Seu nome é betatrophin (talvez seja traduzido para o português como "betatrofina") e sua descoberta foi divulgada na revista científica Cell deste mês.

Seu mecanismo de ação, como o próprio nome evoca, consiste no aumento da proliferação de células beta, células do pâncreas responsáveis por produzir e secretar insulina. Esse efeito por enquanto só foi visualizado em ratos. Segundo os autores da pesquisa, se os resultados forem semelhantes em humanos (ensaios clínicos prometidos para daqui 5 anos) e se um medicamento for produzido a partir desta substância, isso poderia significar que pacientes com diabetes precisariam somente de uma injeção por mês de "betatrofina", ao contrário das múltiplas injeções diárias de insulina.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Companhia americana cria loja de roupas especializada para homens obesos


Foto da campanha publicitária da companhia “Destination XL”, que apresenta em suas propagandas televisivas atores obesos

Aproveitando o fato de que aproximadamente 3 em cada 4 homens adultos nos EUA estão acima do peso, a companhia “Destination XL” começou a divulgar essa semana a abertura de uma rede de lojas especializada em roupas plus-size para homens. Além das próprias roupas, as lojas apresentam outros atrativos para o público masculino obeso: têm corredores mais largos, provadores maiores, água mineral engarrafada gratuita, alfaiates à disposição e as televisões sintonizadas em canais com programação esportiva ou do mercado financeiro.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

“Se eu sei o que preciso fazer para emagrecer, por que não faço?”



Muitos pacientes me trazem esse questionamento depois de algumas consultas, quando parece que o tratamento “empaca” e mudanças comportamentais não conseguem ser feitas. A resposta nem sempre é fácil, mas percebo que muitas vezes a inércia de mudar tem a ver com algo simples: não se sentir merecedor. Vou tentar explicar melhor.

A maioria das pessoas já sabe que para melhorar a alimentação e tornar a vida mais saudável é preciso tomar café da manhã, comer frutas e legumes todos os dias, beber mais água, fazer algum exercício físico regularmente... E isso parece simples, não? Mas tais atitudes fazem parte do nosso autocuidado. E muita gente confunde autocuidado com autoindulgência ou mesmo “perda de tempo”. Percebo que muitos dos meus pacientes não tendem a encarar o autocuidado como prioridade, e não só em relação à alimentação, mas em relação também a outros comportamentos que promovem bem-estar: ler um livro, cultivar a espiritualidade e as amizades, ter um momento de lazer/distração no dia, vestir roupas que te deixem mais bonito/a...

São comuns pensamentos do tipo: “por que vou começar a fazer exercício? Por que deixar de comer fritura todos os dias? Já estou gordo mesmo”... Mas já foi dito aqui algumas vezes: se você não se respeita e aprecia as coisas positivas do seu corpo, se você não se gosta minimamente, realmente vai ser difícil cuidar melhor de si. E isso envolve comer de forma mais saudável e até mesmo emagrecer, por mais paradoxal que isso possa soar.

Sugiro a leitura desse belo texto sobre o mesmo tema, escrito pela amiga e colega de profissão Iamara Medeiros.

Bom feriado a todos!

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Mais notícias do mundo da moda

Uma boa e uma má (na verdade assustadora!) notícia em relação às atitudes do mundo da moda com os transtornos alimentares:

Boa: a agência de modelos Star Models lançou uma campanha recentemente declarando-se contra o padrão ultra-magro das modelos. Nas peças publicitárias da campanha, aparece a frase “you’re not a sketch, say no to anorexia” (“você não é um croqui, diga não à anorexia”). A notícia veio bem a tempo de amenizar o fato bombástico divulgado pela ex-editora da Vogue Austrália, que lançou um livro contando que modelos comem lenços de papel para “não sentirem fome” e emagrecerem.







Má: agências suecas de modelos estão “rondando” clínicas especializadas no tratamento de transtornos alimentares a fim de encontrarem “novos talentos”, ou seja, as próprias pacientes com anorexia nervosa, que estão buscando ajuda para recuperar peso e adotar uma relação mais saudável consigo mesmo e com a comida. Que vergonha.

domingo, 21 de abril de 2013

Prevenção de obesidade em escolas pode incentivar transtornos alimentares



É comum atualmente no mundo a criação de programas de prevenção de obesidade nas escolas, focando em incentivos para diminuir o consumo calórico e aumentar o gasto energético por meio de atividade física. O objetivo desses programas é fazer as crianças perderem peso e/ou atingirem um “peso saudável”, e é frequente a adoção de pesagens periódicas para se avaliar o “progresso” obtido.

Entretanto, um estudo americano recente questiona esse tipo de programa, já que não foca em questões como autoestima, estima corporal, ditadura e mito da beleza e comportamentos inadequados para perda/manutenção de peso. E o motivo do questionamento é simples: pessoas predispostas a desenvolverem transtornos alimentares podem interpretar informações sobre alimentação e peso saudáveis de formas extremas, especialmente adolescentes que estão passando por mudanças corporais notáveis. Isso resultaria no surgimento dos transtornos alimentares. E o interessante é o seguinte: este estudo descreve quatro casos de adolescentes americanos (13 e 14 anos, 3 garotas e 1 garoto) que desenvolveram a doença logo após a exposição a programas de prevenção de obesidade em suas escolas. Ou seja: eles relatam que a preocupação com peso e comida só surgiu devido a esses programas.

Outro ponto relevante colocado pela pesquisa: não existem estudos que demonstrem o impacto desses programas na saúde mental das crianças e adolescentes e que confirmem a eficácia das estratégias propostas na perda e manutenção de peso a longo prazo!

É claro que precisamos de programas que abordem a prevenção da obesidade em crianças e adolescentes, mas o que estudos atuais vêm apontando é que estes deveriam propor estratégias de prevenção conjunta de obesidade e transtornos alimentares e focar em comportamentos saudáveis ao invés de "peso saudável" (veja aqui e aqui).

Isso é possível? Com certeza! Inclusive, já deixo aqui o convite: dia 29/6, em São Paulo, o Genta (Grupo Especializado em Nutrição e Transtornos Alimentares, do qual faço parte) fará um evento justamente sobre essa temática. Mais informações em breve!

sábado, 13 de abril de 2013

Associação Dietética Americana endossa livro de dieta



A figura acima é a capa de mais um livro de dietas lançado há pouco tempo nos Estados Unidos. O título é autoexplicativo: “The Game On! Diet: kick your friend’s butt while shrinking your own” (algo como “A Dieta Game On!: chute a bunda de seu amigo enquanto encolhe a sua própria”). Ou seja, o livro incentiva que você e seus amigos formem times e iniciem uma competição para ver qual se torna “mais saudável”.

A proposta de “saudável” que o livro oferece envolve o seguinte (daí vocês entenderão a necessidade das aspas!):

1. Comer cinco pequenas refeições ao dia (sim, as porções de fato são bem reduzidas!), intercaladas se necessário por “aperitivos de pepino e aipo”;

2. As refeições devem ser compostas por cereais integrais, proteína magra, gorduras saudáveis e vegetais frescos;

3. As refeições não podem conter alimentos da categoria “fat-loading” e “belly-bloating” (basicamente, os “engordativos”): alimentos fritos, carnes processadas e/ou com elevado teor de gordura, qualquer coisa produzida com farinha branca e açúcar (ou seja, basicamente tudo!), margarina e manteiga, queijos gordurosos, frutas secas e inclusive suco de frutas! Atenção: esses alimentos só podem ser consumidos (e olhe lá!) na sua cota diária de 100 calorias livres (ou seja, coma o que quiser uma vez ao dia até 100 calorias) ou no seu “day-off” (ou seja, naquele dia livre em que aparentemente você terá uma compulsão alimentar);

4. Os alimentos devem ser preferencialmente orgânicos e você deve excluir tudo que contenha adoçantes artificiais;

5. O consumo de cafeína deve ser limitado, por isso os autores eliminam refrigerantes. Entretanto, café e chás (que muitas vezes são ricos em cafeína) são permitidos...

Mas por que resolvi escrever um post voltado para mais um livro de dietas, nada diferente de todos que já existem? Cujas propostas certamente não promovem adesão a mudanças de comportamentos saudáveis a longo prazo, justamente por não serem viáveis? Aí é que está o mais preocupante: a “Academy of Nutrition and Dietetics” (“Academia de Nutrição e Dietética”, antiga “Associação Dietética Americana”), órgão norte-americano que supostamente deveria defender e valorizar a ciência da nutrição e os nutricionistas, ENDOSSA AS ORIENTAÇÕES DESTE LIVRO! Ela coloca em seu documento oficial: “acreditamos que esse livro pode encorajar e motivar o leitor a se tornar mais saudável.” Ainda assim, eles sugerem que os indivíduos trabalhem em conjunto com um nutricionista ao longo da leitura... Ora, se a pessoa vai ao nutricionista ela não precisa ler este livro!

Alguns profissionais de renome nos EUA já estão se mobilizando para mandar um documento à Academia solicitando a retirada deste posicionamento do site oficial do órgão. Trago mais novidades a respeito em breve.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Múmias já tinham aterosclerose



Um estudo publicado agora em março na prestigiada revista científica “Lancet” encontrou resultados surpreendentes: múmias de 4.000 anos já tinham aterosclerose!

O autor da pesquisa avaliou via tomografia computadorizada 137 múmias de 4 regiões diferentes do planeta e que apresentavam diferentes culturas, estilos de vida e hábitos alimentares. Foi encontrada a presença de aterosclerose em mais de um terço da amostra, o que sugere que o corpo humano tenha uma predisposição natural para o desenvolvimento da doença. Além disso, o autor coloca que as múmias viveram numa época em que as causas de morte mais comuns eram as infecções, que poderiam promover estado inflamatório e com isso contribuir com a instalação da aterosclerose.